Livro “Arrastões na imanência”. Luiz B. L. Orlandi. Lançamento.

Dia 09/10 –

15h – 18h – Auditório I Fausto Castilho – IFCH

Lançamento do Livro Arrastões na imanência e homenagem ao Prof. Luiz B. L. Orlandi

 

– Abertura: Daniel Omar Perez

– Apresentação do filme de Sebastian Wiedemann (15 min.)

Mesa-redonda (20 a 30 min/cada):

  • Suely Rolnik 

  • Carlos Vogt 

  • Alcir Pécora 

– Microfone aberto aos convidados

18h00 – Plantio de árvore no jardim da Pós-Graduação

18h30 – Confraternização 

https://arrastoesnaimanencia.wordpress.com/

 

Zero de Conduta

Em Zero de Conduta acompanhamos uma deformação criadora. Neste filme, dirigido por Jean Vigo em 1933, lemos o subtítulo: jovens diabos no colégio. Na seqüência inicial, num trem, dois meninos fazem uma série de invencionices e diabruras. Invenções de uma inocência brutal. Também inocente é o professor que, no mesmo vagão, dorme ao lado dos meninos: o novo professor, Huguet, aquele que no filme imita Chaplin, mas poderia ser Keaton (já que a discussão sobre a superioridade de um destes dois palhaços, presente em cena de Sonhadores de Bertolucci, é insolúvel). Esse professor poderia se inscrever numa linhagem de personagens – andando e desenhando com as pernas para o alto na sala de aula, saudando os meninos na hora da rebelião, ou ainda, se perdendo e se encontrando com eles no passeio pela cidade. Huguet possui algo do Idiota de Dostoievski, ou dos clowns que povoam as obras de Samuel Beckett. Há ai uma outra política de transgressão. Ele possui a grandeza de não saber o que todos já sabem. E isso é altamente disruptivo e explosivo. Concomitante a esta inocência, há que se considerar o complô dos meninos, em que se evidencia a necessidade de planejamento, de inteligência e astúcia. O filme mostra inclusive os clichês de tudo isso, o jargão da revolta revolucionária, os discursos, a convocação, as bandeiras, etc. Clichês interessantemente acoplados a um movimento de matilha, a um passeio ditirâmbico, que se inicia antes e que aparece nas imagens transbordantes que se seguem após a guerra de travesseiros. Na cena final os meninos aparecem sobre o telhado, em fila, talvez carregados pelo diabo numa linha de saída. Há uma certa implicação do involuntário nessa revolta que, no âmbito das forças, tentando evitar simplificações, essencializações e dicotomias, poderia ser pensada numa distinção entre ingenuidade e inocência. Em Zero de Conduite não prepondera a ingenuidade — o infantil no sentido adulto da palavra em que se acoplam perfeitamente humildade e arrogância. O ingênuo, diferentemente do inocente tenta definir-se pelo desprezo e desconhecimento dos valores que tentam hegemonizar e dirigir o mundo. Neste esforço de desprezá-los, muito os preza. Esta perspectiva ingênua afirma-se pelo negativo: não querer saber, ser pelo avesso, num ato reativo. Aparente e supostamente, tem-se um desprendimento dos valores imperativos, mas, com efeito, opera-se na esperança despótica de um mundo funcionando pela lamúria, a falta e o preenchimento de demandas narcísicas. Em outra direção, os movimentos inocentes afirmam uma potência criadora, difícil de ser localizada. O inocente é um alvo não oferecido, tal qual o professor Huguet, que nem sequer é um opositor da ordem, ele desinveste a culpa e favorece o acaso. Não há aqui um desconhecimento dos valores instituídos, apenas não lhes é dada importância maior, posto que estão colocados fora do foco. A ênfase da rebelião passa, no filme, pelas autoridades que são alvejadas e ficam acuadas, mas sai pelos telhados ativamente disponível a situações em aberto.

UMA AMIZADE SEM INTIMIDADE. Como se pensa a dois ou mais? Os autores de “O que é a filosofia”? traçam a história de uma amizade sem intimidade, que funciona por “afinação” e “acoplamento”

No link abaixo:

http://tragica.org/artigos/v8n2/traducao.pdf

Amizade sem rivalidade, amizade sem efusão. “Gilles e eu temos uma certa propensão a tratar quase todo mundo de maneira informal. E, no entanto, há mais de vinte anos, tratamo-nos com formal polidez. Há uma verdadeira política do dissenso entre nós, não um culto, mas uma cultura da heterogeneidade, que faz com que cada um de nós reconheça e aceite singularidades.

https://laboratoriodesensibilidades.wordpress.com/2015/10/27/uma-amizade-sem-intimidade-como-se-pensa-a-dois-ou-mais-os-autores-de-o-que-e-a-filosofia-tracam-a-historia-de-uma-amizade-sem-intimidade-que-funciona-por-afinacao-e/