CoralUSP apresenta A Tempestade, com participação da OSUSP – Entrada franca

 

A TEMPESTADE

Na Inglaterra do século 17, era muito comum a realização de obras teatrais e musicais para entretenimento do rei e da nobreza. Havia dois teatros estabelecidos em Londres com o aval da monarquia, que mantinha também um conjunto de cordas e o coro da Capela Real. Todas as datas importantes do calendário, particularmente o Ano Novo e o aniversário do soberano, bem como ocasiões especiais, como bodas, inaugurações e nomeações políticas, eram brindadas com música composta especialmente para essas efemérides. Nosso concerto se inicia com uma ode de boas-vindas ao rei, quando este retornou a Londres, após passar o verão no campo. “Welcome, Vicegerent of the Mighty King” é a primeira de uma série de odes comemorativas escritas por Henry Purcell, o mais importante compositor inglês dessa época. A obra apresenta uma abertura nos moldes das aberturas francesas de Lully e diversas seções corais em escrita basicamente homofônica, entremeadas de ritornelos instrumentais sugerindo números de dança.

Dentre a vasta produção musical de Purcell, destacam-se também suas composições para o teatro, desde canções avulsas até a primeira ópera inglesa (“Dido e Enéas”). No caso de “A Tempestade”, a música foi escrita com base na peça de William Shakespeare modificada por John Dryden, um dramaturgo muito atuante no Teatro de Lincoln’s Inn Fields. Dryden reescreveu a peça de Shakespeare, acrescentando várias personagens inexistentes no original e criando novas cenas. A música escrita para essa peça era executada nos intervalos entre cenas e entre atos, envolvendo personagens secundárias ou apenas o coro. Devido à falta de fontes autênticas (o manuscrito original está perdido), não se pode afirmar categoricamente que a música para “A Tempestade” seja de Purcell (exceto a canção “Dear pretty youth”, que foi publicada separadamente como de sua autoria). A despeito dessa incerteza, a partitura exibe vários gestos composicionais característicos de Purcell. A peça tem início com uma abertura francesa, e contém diversas árias de grande dificuldade técnica, como aquelas dos solistas masculinos, mas também números de intensa expressividade, como a ária “Dry those eyes” e o dueto final com coro “No stars again shall hurt you”.

Alberto Cunha

MUSICALIZAÇÃO PARA INICIADOS – PRÁTICA DE CONJUNTO no SESC Santos

De 20/3 a 19/6

Terças-feiras, das 19h às 21h

O objetivo deste curso é estimular a prática coletiva de música, destacando os conteúdos e habilidades envolvidos nesta atividade musical: noção de conjunto, percepção dos elementos sonoros no contexto de grupo (tempo, textura musical, afinação, “ocupação de espaços”, improvisação etc.) elementos de concepção de arranjo e leituras (partitura e harmonia) aplicadas à prática. É necessário saber tocar algum instrumento, ou cantar. O participante deverá trazer seu instrumento. As audições para seleção dos inscritos será realizada no dia 20 de março. Início das aulas em 27 de março e término dia 19 de junho. 12 aulas. Sala 42.
Não recomendado para menores de 12 anos
R$ 20,00 [inteira]
R$ 10,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 5,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

DICA do L.S – NEGUINHO – “Neguinho que eu falo é nós” (do último disco da Gal com músicas do Caetano)

Neguinho

Gal Costa

Neguinho não lê, neguinho não vê, não crê, pra quê
Neguinho nem quer saber
O que afinal define a vida de neguinho

Neguinho compra o jornal, neguinho fura o sinal
Nem bem nem mal, prazer
Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho?

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Se o nego acha que é difícil, fácil, tocar bem esse país
Só pensa em se dar bem – neguinho também se acha
Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz
Neguinho também só quer saber de filme em shopping

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Se o mar do Rio tá gelado
Só se vê neguinho entrar e sair correndo azul
Já na Bahia nego fica den’dum útero
Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si
Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho

Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo
Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo
Nego abre banco, igreja, sauna, escola
Nego abre os braços e a voz
Talvez seja sua vez:
Neguinho que eu falo é nós

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho