Bandalha, 2017, de Andre Parente

Bandalha, 2017, de Andre Parente

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A respeito de homem e pensamento. Luiz B. L. Orlandi

Estou pensando numa coisa que vem preocupando desempregadas e desempregados, trabalhadoras e trabalhadores cujos direitos, outrora conquistados, acham-se agora ameaçados; coisa que vem amargurando necessitados e necessitadas em cuidados de saúde; coisa que vem entristecendo pessoas ligadas a esforços voltados a processos de uma democratização legítima; coisa que ameaça corroer o vigor das lutas minoritárias; coisa que deixa crianças e jovens ao sabor de múltiplas corrosões de novas possibilidades de vida… E por aí vai… Mas não quero entristecer o que penso, assim como não me bastam certas alegrias solitárias, que, embora necessárias, não conseguem me ligar à emoção que se sente quando, por exemplo, um punhado de povo grita um BASTA! Um BASTA! a este ou àquele tipo de poderoso, seja qual for, que insista em submeter seu povo a processos de imbecilização política, religiosa etc. Sei que estou numa quase angustiada espera…

Estou pensando, justamente, na expectativa desse BASTA! Há poucos dias, uma pessoa me disse: será que não surgirá um homem forte capaz de por as coisas em ordem? Eu disse a ela: espero que não! Não quero um bosta, um homem forte, um fraco ou forte fascista comandando seu punhado de cretinos ou cretinas. Quero apenas pensamentos fortes, pensamentos fortalecidos por multiplicidades de bastas! a tudo que vem amesquinhando, entristecendo, empobrecendo o viver no Brasil nestes tempos dos assaltantes golpistas. Nossos bastas! estão por aí. Permanentemente sentidos e pensados, alguns foram vistos, outros são mostrados, outros ainda surgirão. Embora envelhecido, continuo andando nessa pluralística direção. Como disse um amigo: quero estar sempre engatado num povo por vir. A condição desse porvir é um devir-outro entre-outros; é estar junto com outros numa luta complexa: luta prioritariamente assumida contra o germe fascistóide que opera em cada um nós; e luta complementar contra o inimigo comum, contra, por exemplo, essas quadrilhas golpistas que estragam o governar, o julgar, o legislar, o jornalizar, o televisionar… e o viver com perspectivas decentes.

Abraços do Orlandi