Busca

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Por Marta Bertolino

Prisão de Villa Devoto, Buenos Aires, Argentina, 1977

 

 

Rosto sem nome; corpo ulcerado;
são restos vivos,
e quem são eles?
Homens, mulheres, adolescentes,
infâncias doídas,
e são milhares.
‒ E ninguém viu?

Caco de corpo; bota na cara;
fantasmas cruéis.
‒ Ninguém conhece?
Infâncias doídas,
e são milhares.
Homens, mulheres, adolescentes,

onde se escondem?

Mais escritórios, outros quartéis,
vozes que clamam desesperadas:

‒ E ninguém viu?
‒ Ninguém conhece?
Ninguém responde.

Andavam sempre pelos caminhos
juntando braços ‒
iam semeando amanheceres,
tinham nas mãos terra de todos
e nos seus cílios, infância alada.
Infâncias doídas,
e são milhares.
Onde estão eles?

Homens, mulheres, adolescentes.
Onde se escondem?

Pequeno fogo em meio à névoa,
saberá deles alguma estrela?

Ninguém responde.
Ninguém responde.
Ninguém responde.

Haverá um tempo que lhes encontre.
Flores crescendo sobre o horror,
terra de todos, cria nascente.

 

 

[Recriação em português: Damian Kraus]

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