Sonhos: Sismógrafos do comum e uma semiótica aberta.

 

 

Para os Yanomami, o pensar é, essencialmente, sonhar: sonhar com o que não é humano, sair da humanidade.

Davi Kopenawa Yanomami

Sonho, podem ser máquinas para detectar porcarias famililistas. É uma máquina para detectar os lugares onde se contraem as “produções de espaços”, isso em virtude da própria natureza do sonho, no sentido de que é uma atividade que, por definição, tende a ser cortada de toda conexão com o real, com o campo social. No mesmo lance é como se fosse uma radiografia de todos os pontos de bloqueio. Ora, é extremamente interessante repetir esses pontos de bloqueio. O sonho, para retomar a fórmula de Freud, é a via real, não do inconsciente, mas da familialização, individualização (liberal) do inconsciente. A análise do sonho é muito importante porque, quando você pode chegar a determinar, no sonho, por qual enganação, por qual espécie de desmontagem, por qual tipo de identificação você vai colmatar e levar sua política fascista, jogo policial consigo mesmo, isso devém um modo de ajustagem de uma outra política possível. Esse tipo de ajustagem é extremamente importante. Ali onde, no sonho, se produzem esses impactos fascistas, há, precisamente no mesmo lugar, o umbigo do sonho, quer dizer, o indício de forças em luta de uma outra política possível. No próprio lugar em que se é o mais fascista, o mais bloqueado, é que alguma coisa pode abrir-se numa outra cadeia, pois se é tanto mais fascista no lugar atrás do qual há uma ameaça de forças em lutas. Tudo depende do que se quer fazer do sonho. Se você quer interpretá-lo, reificá-lo, coisificá-lo na grade de interpretações, então, no mesmo lance, ele serve para reforçar uma política fascista. Inversamente, se você, mais do que interpretar, quer colocá-lo num sistema de produção, um sistema de quebradura de esquemas habituais, de esquemas reais, se você quer efetuar uma técnica de experimentação, então, mais do que alimentar uma semiótica enquadradora (modelo), individualizante, familialista, você pode servir-se da semiótica singular do sonho para reforçar uma semiótica aberta.

 

F.G

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s