O mais espantoso é que o espantoso não espanta mais ninguém. Existe muita esperança, mas não para nós.

Kafka ficou diante de várias obras de Picasso e Gustav Janouch comentou que o pintor espanhol distorcia deliberadamente os seres e as coisas.  Kafka disse que Picasso não pensava desse modo: “Ele apenas registra as deformidades que ainda não penetraram em nossa consciência”. E acrescentou que “a arte [que interessa] é um espelho que adianta, como um relógio”, sugerindo que Picasso sondava algo por vir, que um dia se tornaria perceptível — “não as formas, mas as deformidades”.

Kafka: “o mais espantoso é que o espantoso não espanta mais ninguém” …“o que importa não é a liberdade [liberal], mas achar uma saída.”

E Kafka diz a Gustav Janouch:

“Não vivemos num mundo destruído, vivemos num mundo transtornado. Tudo racha e estala como no equipamento de um veleiro destroçado”.

A arte é um espelho que adianta, como um relógio.

Gustav Janouch.  Conversas com Kafka, trad. Celma Luz. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1983.

 

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