Interrogações e combate permanente nos envolvimentos da vida com a morte -– Luiz Orlandi (vídeo 5 minutos e 25 segundos)

Tem que observar micro movimentos.. Pode-se dizer que uma dificuldade nunca deixa de estar povoada de pontos de interrogação. Esses pontos picam a sensibilidade e outras ditas faculdades do corpo e dos saltos que se dão nele. E não raramente uma sequência desses pontos interrogativos toma ares de filme de terror, assustando a gente. Com a variedade dos seus pontos de incidência, uma interrogação assusta, sim, porque, em vez de se satisfazerem com imagens de sinais representativos de frases interrogativas, esses pontos de interrogação devêm multíplices, complexos. Eles devêm signos. É que eles não acarretam apenas a necessidade e a vontade subjetiva de aprender algo para corresponder a um problema. Além dessa faceta familiar à consciência, a dificuldade vem a ser objetivamente assustadora por uma razão incontrolável. Ao quê mais estaria ligada, no caso presente, a razão desse caráter assustador emitido pelos pontos de interrogação?
Dizer que isso faz parte da vida é uma boa resposta. Mas ela deixa por demais vago o que se passa. A primeira coisa a ser levada em conta, parece-me, é admitir que a gente não consegue isolar a vida do próprio campo problemático em que ela se contorce na imanência do seu enrosco com o resto; e admitir, também, que esse contorcionismo ainda se dá como combate permanente nos envolvimentos da vida com a morte. Então, é possível pensar que a razão do susto vivido tem a ver com a pulsação de um questionar intempestivo, próprio de um questionamento vital não simplesmente comandado pela vontade subjetiva.

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