Problemas em estados fetais e entretantos intensivos – Luiz Orlandi (vídeo 6 minutos e 49 segundos)

entretantos que vagalumeiam nos aprendizados e nas pesquisas, pois estas não deixam de ser variantes de aprendizados. Que são esses entretantos? Assim que se começa a aprender algo, já os entretantos se põem como ovos do questionamento vital, seja faiscando de brancura ou se escondendo num sombreado qualquer. Enquanto este ou aquele aprendizado vai ocorrendo ao longo de um tempo cronológico, criam-se entretantos inesperados, acontecem entretempos intensivos. Isso é possível, porque as operações maquinadoras desses entretantos intervalares, longe de se reduzirem a uma função adversativa, opositiva ou restritiva, cria um intensivo intervalo de tempo até numa bem disciplinada linearidade cronológica de um aprendizado, do sentir, do pensar etc.; cria um meio-tempo dinâmico, tensionado no jogo de forças do questionamento vital, jogo favorável ao aprendizado, sim, mas que a consciência aprendiz não tematiza simultaneamente e, muitas vezes, nem depois. E há casos, muito comuns, de tecnocratas da pesquisa desprezarem esse tipo de preocupação. Este não é o caso da pesquisa referida nas páginas do documento que apresenta o Resumo da experiência do grupo atuante aqui em Santos. Para dizer isso, e como não trabalho aqui como pesquisador, apoio-me nesta frase do Resumo: “É interessante pontuar que não se trata de saber simplesmente a respeito da “doença” que leva alguém a ser atendido por diferentes serviços de saúde, mas saber como uma vida inventa seus trajetos, quais são as escolhas, as possibilidades” antevistas etc. Este último lance da frase estimula a pesquisa a se aproximar de limiares intensivos propícios a delicadas sondagens pelos entremeios, que são lugares de passagem de tensões e problemas. Isso quer dizer, em primeiro lugar, que nosso ponto de vista não é estritamente técnico, embora não se trate de desprezar o plano de organização das pesquisas e aprendizados. No limite, não sabemos o que essa pesquisa pode recolher, mas ela quer e pode aprender a aproximar-se de limiares a serem prudentemente e cuidadosamente pensados. Vale dizer que a atenção estudiosa volta-se cada vez mais para uma espécie de detecção de conexões mínimas capazes de efeitos potentes ao passar pelos nexos que tecem problemas. É nesse sentido que se compreende as constantes retomadas do problema do nexo entre o dinamismo de um clandestino questionamento vital e o processamento de um aprendizado, problema ao qual a consciência tem, a rigor, um limitado acesso, como foi suficientemente acentuado. O sinal de que a consciência tem um certo acesso, embora limitado, a esse dinamismo clandestino, se evidencia na expressão do seu susto: não sei como aprendi tal coisa, não sei como consegui chorar, esse choro que me fez bem… Do ponto de vista da consciência, esse não sei como remete à vivência subjetiva de fortes surpresas, à sensação de um salto no aprendizado, à abertura da sensibilidade e etc.. Perfeito, mas será que a atenção estudiosa não pode chegar a um grau mais sutil de recepção? Tudo indica que sim. Com efeito, a atenção estudiosa, vale dizer, a atenção micro-tensioativada pelas variações do pensamento conceitual não genérico, ganha o poder de ser afetada, de ser atraída por micro rebrilhos de uma riqueza interna a um nexo especial, especial porque sentido como potencializador daquilo que os termos heterogênos conectados podem dar uns aos outros.

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