Beckett e a bagunça

“A confusão não é invenção minha. Não podemos escutar uma conversa por menos de cinco minutos sem ficar extremamente conscientes desta confusão. Ela nos rodeia em tudo e nossa única chance agora é deixá-la entrar. A única chance de renovação é abrir nossos olhos e enxergar a bagunça. Não se trata de uma bagunça da qual se possa fazer sentido.”

“O que estou dizendo não quer dizer que, de agora em diante, não haverá mais forma na arte. Quero dizer apenas que haverá uma nova forma e que esta forma será de tal tipo que admita o caos e não que tente dizer que o caos é, em verdade, qualquer outra coisa. A forma e o caos continuam separados. Este último não é reduzido ao primeiro. É por isso que a forma se torna uma preocupação, porque ela existe como uma problema aparte do material que acomoda. Encontrar uma forma que acomode a bagunça, eis a tarefa do artista de agora.”

Pedaços de entrevistas.

In ANDRADE, F. Samuel Beckett: O silêncio possível. São Paulo: Ateliê, 2001.

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