Filme Ossos, realização de Pedro Costa. Versão integral disponível abaixo .

Uma película que já anunciava sua saída do lugar de obra, em pouco tempo não seria mais um filme, talvez continuaria a ser caracterizado deste modo em função dos materiais e equipamentos empregados, mas o modo já não suportaria esta designação… Poucas frases, muitos olhares e cabelos nos rostos, e peles se encostando e se contaminando sem que hajam sentimentos. As emoções são dispensadas. Por vezes são mencionadas em algumas falas, mas não correspondem aos corpos… OSSOS, assim se chama o filme de Pedro Costa, realizador português. Sem que haja uma combinação, muito mais por amontoamento – resultado provável da falta de moradia -, alguns movimentos comuns vão se delineando, deslocamentos sem finalidade aparente, embora haja um bebê que alinhave fragilmente estas transposições… Não se trata de uma obra aberta, trata-se de uma ausência de obra, da constatação da impossibilidade de fazer obra. Uma espécie de adesão ao aberto, ao fora, como lugar de alguma acontecimento não sabido, nem esperado, talvez confiado. Não é nem o fechado que encontra frestas, é o próprio aberto, aquilo que responde à multiplicidade de modo mais radical, na medida em que não se unifica, no máximo se amarra em feixes: de forças, de órgãos, de pensamentos, de matérias, de seres, criando ordenações temporárias.
E.A.I

Trecho recolhido de tese em pdf no link:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-22042010-104547/pt-br.php

OSSOS:

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