No Laboratório de Sensibilidades a instalação A ALMA É UM ESTÔMAGO – relato de um visitante

Comecei a andar pelo corredor, atento a algum som. Na última parte algo caiu fez um som de metal. Acho que o vento forte derrubou um suporte de alumínio próximo à janela aberta, pois foi o que vi, quando entrei. Cheguei bem perto de uma tela. Ouvi um homem falando em minhas costas.. Virei e assisti duas vezes o mesmo vídeo: era um velho que mexia nas narinas e dizia: “Eu como a carne, como o feijão, absorvo mundos, infinitos mundos. Se fosse contabilizar o que cada um de nós comeu. Meio aturdido, continuei andando e ainda ouvi: “Um pega um pedaço do outro, outro pega um pedacinho.. um mundo em que você recebe cargas perigosas”. E ai alguns cartazes, com letras grandes. Em um deles estava escrito: “paladar de criança’ e no outro ainda: ‘não tenho estômago’. Sempre andando, fui atraído para o final do corredor, pelo som de uma música que repetia várias vezes: “só duas coisas tem valor na vida: comida e bebida, comida e bebida” e no meio da música cantava: “trazendo o sonho o apagamento dos endividamentos de cada dia”. No vão da escada, uma cama com um lençol vermelho de cetim. Vários pratos em cima da cama, mas não conseguia saber o que havia dentro de cada um.. Chegando perto percebi um grande cartaz ‘a culpa vai da cama para a mesa’. Em cada prato, um alimento: leite condensado, chocolate, coxinha, salgadinho de pacote, picanha. Também havia uma lata de Coca-Cola e uma garrafa de pinga. Vi outros cartazes: ‘peito de frango grelhado é comida de gente que não quer comer’. O fluxo de pessoas me indicava uma sala do lado esquerdo, ao fim do corredor, a última porta. Abri e entrei. Na parede, várias fotos. Uma delas era a de uma mulher, vestida de noiva, com um caninho no nariz ligado a uma bolsa. Alguém perto de mim disse: – igual a sonda nasogástrica utilizada nos pacientes terminais do hospital onde faço estágio. Outra foto era a de uma turma de alunos chineses, estudando, muito concentrados, com um soro na veia. Em cima da foto um relógio, intitulado cronometro da vigília, marcava 26:57h. Ao fundo, um canto me chamou a atenção. Me aproximei e descobri um espécie de despacho, com papel celofane vermelho, flores, velas, e, muitas barrinhas de cereais por toda a superfície do celofane. Fiquei pensando: Despacho é para fazer mal a alguém ou para desfazer algum efeito maléfico de bruxaria. Em cima, um cartaz dizendo: ‘preferiria não’. Logo ao lado, em outro cantinho um aviso: Comer na Informação. Era uma mesa, com uma toalha muito branca, pratos brancos arrumados linearmente e enumerados. Em cada um dos pratos havia 2 alimentos e em cada alimento havia alguns dados. No prato número um tinha chá verde (estava escrito: alimento natural, propriedades antioxidantes, 4 calorias em 350 ml, emagrecedor) e Guaraná diet (alimento industrializado, nenhuma caloria, contém edulcorantes e conservantes). Tomei o chá verde. Nunca havia experimentado o tal chá verde. Muito ruim. No prato número dois: tomate (alimento natural, contém vitaminas, fonte de licopeno que previne doenças como o câncer, pode conter agrotóxicos) e catchup (alimento industrializado, dá sabor aos alimentos e possui mais que o dobro de licopeno quando comparado ao tomate fresco). Não comi nenhum. Escolheria o catchup porque minha mãe só compra produtos orgânicos, sem agrotóxicos, e porque meu tio morreu de câncer. E, no prato número três castanha-do-pará (alimento genuinamente nacional, retarda o envelhecimento, fonte de selênio, altamente calórico) e bacon (altamente calórico, contem gordura saturada que eleva os níveis de colesterol e muito sabor). Comi um pedaço de bacon, estava escrito encima “lipofobia é o nome coisa”, bem grande. Voltei pelo mesmo corredor e entrei pela porta de vidro do auditório. Várias malas, de diferentes cores e tamanhos no fundo misturadas às cadeiras. Entrei e caminhei até a frente. Comecei a experimentar alguns alimentos que estavam à disposição, uma lata de coca-zero pendurada em fio de nylon, convidava. Na saída, encontrei em cima de uma cadeira várias folhas. Em cada uma delas havia frases. Li uma: ‘cem gramas, sem dramas” .E depois outra: “espírito é também comilão”. Na saída uma espécie de homem, todo feito de diferentes frutas e legumes ao lado de um espaço destinado ao refeitório, um homúnculo em pé (o coração era um sandwisch do Macdonald), ao lado dele límpido estava um manequim de loja de roupas.. o ser de frutas e legumes se degradava a olhos vistos o sandwish, não.. Fui embora.

FILOSOFIA: Por que não a Espanha, por que não a Itália?

Nietzsche fundou a geofilosofia, procurando determinar os caracteres nacionais da filosofia francesa, inglesa e alemã. Mas por que três países somente foram coletivamente capazes de produzir filosofia no mundo capitalista? Por que não a Espanha, por que não a Itália? A Itália, notadamente, apresentava um conjunto de cidades desterritorializadas e uma potência marítima, capazes de renovar as condições de um “milagre”, e marcou o começo de uma filosofia inigualável, mas que abortou, e cuja herança passa antes para a Alemanha (com Leibniz e Schelling). Talvez a Espanha fosse por demais submissa à Igreja, e a Itália por demais “próxima” da Santa Sé; o que salvou espiritualmente a Inglaterra e a Alemanha foi talvez a ruptura com o catolicismo, e a França, o galicanismo… À Itália e à Espanha faltava um “meio” para a filosofia, de modo que seus pensadores permaneceram “cometas”, e elas estavam dispostas a queimar seus cometas. A Itália e a Espanha foram os dois países ocidentais capazes de desenvolver poderosamente o conceitismo, isto é, o compromisso católico do conceito e da figura, que tinha um grande valor estético, mas mascarava a filosofia, desviava a filosofia para uma “retórica” e impedia uma plena posse do conceito. A forma presente se enuncia assim: nós temos os conceitos! Enquanto que os gregos não os “tinham” ainda, e os contemplavam de longe, ou os pressentiam (…)

D.G

Filme Ossos, realização de Pedro Costa. Versão integral disponível abaixo .

Uma película que já anunciava sua saída do lugar de obra, em pouco tempo não seria mais um filme, talvez continuaria a ser caracterizado deste modo em função dos materiais e equipamentos empregados, mas o modo já não suportaria esta designação… Poucas frases, muitos olhares e cabelos nos rostos, e peles se encostando e se contaminando sem que hajam sentimentos. As emoções são dispensadas. Por vezes são mencionadas em algumas falas, mas não correspondem aos corpos… OSSOS, assim se chama o filme de Pedro Costa, realizador português. Sem que haja uma combinação, muito mais por amontoamento – resultado provável da falta de moradia -, alguns movimentos comuns vão se delineando, deslocamentos sem finalidade aparente, embora haja um bebê que alinhave fragilmente estas transposições… Não se trata de uma obra aberta, trata-se de uma ausência de obra, da constatação da impossibilidade de fazer obra. Uma espécie de adesão ao aberto, ao fora, como lugar de alguma acontecimento não sabido, nem esperado, talvez confiado. Não é nem o fechado que encontra frestas, é o próprio aberto, aquilo que responde à multiplicidade de modo mais radical, na medida em que não se unifica, no máximo se amarra em feixes: de forças, de órgãos, de pensamentos, de matérias, de seres, criando ordenações temporárias.
E.A.I

Trecho recolhido de tese em pdf no link:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-22042010-104547/pt-br.php

OSSOS:

Os paradoxos da repetição ‒ Dominique Fingermann (org.)

A potência do que não se deixa de repetir

os paradoxos da repeticao dominiquePor Paulo Antonio de Campos Beer.

Se a repetição pode ser considerada um conceito central para diversos campos e práticas, isso não significa, entretanto, que produzir articulações produtivas a partir dos diferentes modos como esse conceito pode ser encontrado seja uma tarefa simples. Muito ao contrário, pode-se facilmente cair tanto numa pura mesmice produzida por uma proximidade entre os modos de tratamento do conceito, assim como, do lado oposto, é possível perder-se na amplitude que tal tema apresenta. É esse risco que o projeto Os paradoxos da repetição, organizado por Dominique Fingermann enfrenta com coragem, ao reunir autores de diferentes áreas, primeiramente em um ciclo de palestras, e em seguida na publicação do livro que conta com alguns textos adicionados – além das transcrições das falas – propondo um potente articulador para reflexão da temática: o paradoxo presente na repetição.

Embora não se trate de uma obra composta exclusivamente por psicanalistas, é possível reconhecer que mesmo nas mais diferentes apresentações, a clínica parece estar presente enquanto horizonte. Isso se mostra já com Oswaldo Giacoia Junior, que em sua articulação entre Nietzsche e Kierkegaard, aponta o caráter paradoxal da repetição: o repetido só pode ser percebido enquanto tal uma vez que traz semelhanças com algo já vivido, ao mesmo tempo em que apresenta diferenças suficientes para que possa ser reconhecido enquanto algo outro. Se fosse exatamente igual, não poderia ser entendido como outra experiência, entretanto carrega consigo traços incontornáveis de algo que já foi. Nesse sentido, a repetição mostra, já de saída, uma tensão interna, que condensa em si um movimento de retorno e um ponto de desidentificação daquilo que se repete.

Desse modo, pode-se pensar, com Nietzsche, a repetição como um modo de subjetivação, de apropriação pelo sujeito daquilo que aparece novamente. Mais que isso, reconhece-se também uma dimensão de escolha, presente na consideração limite de que a vida deveria ser vivida como se cada momento fosse se repetir eternamente, sendo, assim, a repetição uma afirmação de algo do mais singular do sujeito. Nesse ponto, Giacoia Junior toma como interlocutor Kierkegaard, partindo do modo como a questão da repetição condensa em si o instante e a eternidade, apresentando-se também não simplesmente como eterno retorno, mas sim como retomada, reapropriação de si.

Uma reflexão bastante próxima, embora com acento absolutamente clínico, pode ser encontrada no texto de Maria Rita Kehl, que localiza com precisão o duplo caráter da repetição na clínica psicanalítica: se ela aparece enquanto compulsão, como repetição patológica de experiências não elaboradas, também se faz presente enquanto direção de tratamento, uma vez que a apropriação pelo sujeito de sua própria história torna possível um outro modo de viver. Nesse sentido, a clínica não se limita ao sofrimento individual a ser tratado no setting tradicional, mas deve ser pensado também na cultura, possibilidade relatada pela autora a partir de sua participação na Comissão da Verdade.

O modo como se lida com um momento traumático de uma cultura, marcado por violência e apagamento da alteridade, pode tanto ter como efeito a compulsão sintomática, causada pela negação do vivido e pela repetição de violações que não são assumidas enquanto tais (como vemos na violência policial, apontada pela autora em continuidade com a violência de estado da ditadura), como pode produzir algo novo, processo que passa pela nomeação e pela narrativa do ocorrido. Essa dimensão é trabalhada a partir de uma articulação não muito comum, porém bastante interessante, entre o pensamento freudiano e a obra de Walter Benjamin. A noção benjaminiana de redenção apare aí como interessante possibilidade de encaminhamento, embora permaneça ainda como algo que pode ser mais trabalhado.

Freud é retomado em diversos textos, e por meios absolutamente distintos. Se Kehl apresenta a articulação com o pensamento de Benjamin, Christian Dunker faz trabalhar o conceito a partir de um embate com Darwin, o qual revela, talvez de modo surpreendente, uma grande proximidade entre os autores. As diferentes maneiras como o psicanalista vienense desenvolve a questão da repetição mostra-se não somente compatível com o trabalho de Darwin, mas também pode-se pensar uma influência mais profunda do que uma leitura desavisada consegue perceber. Ainda mais surpreendente é o fato de que mesmo em uma discussão, a princípio, radicalmente teórica, Dunker consegue estabelecer pontos de encontro com a psicopatologia.

Freud não é o único autor cuja presença no livro é recorrente. O mesmo pode se dizer de Nietzsche, Kierkegaard, e, especialmente, Lacan, autor referido em diversos momentos por seus avanços em relação ao tema. Vladimir Safatle trata do modo como a repetição é desenvolvida pelo analista francês, num primeiro momento enquanto obstáculo, num segundo enquanto acontecimento. É nesse sentido que apresenta a divisão entre a repetição imaginária (ligada à fantasia), simbólica (automatismo da cadeia significante) e Real. Se as duas primeiras podem ser entendidas como retorno, a última ganhará um estatuto diverso, ao ser associada a lacunas que estariam presentes na significação, pontos irredutíveis de resistência à simbolização.

Nesse sentido, a repetição real, para além da reaparição conteúdos recalcados ou de efeitos da cadeia significante, traz à tona a insistência daquilo que não pode ser absorvido enquanto sentido. Uma situação paradoxal, na qual por um lado tem-se a sensação de que poderia haver certa racionalidade naquilo que acontece, por outro tem-se a certeza do acaso, ou, mais especificamente, da fortuna. Aqui o autor traz uma bela imagem, a do desencontro dos amantes, afirmando a porção de desencontro que sempre há nos encontros reais, demonstrando a incompletude das intencionalidades frente a isso que sempre se mostra algo a mais. É nesse encontro com o desencontro incontornável, na insistência da impossibilidade da racionalidade, nessa repetição da incompletude que o sujeito pode justamente experienciar aquilo que talvez seja sua faceta mais singular.

De modo ainda mais amplo, a centralidade da questão da repetição na obra de Lacan é profundamente explorada nos textos de Dominique Fingermann, estabelecendo uma cartografia dos modos como essa noção é paradoxalmente desenvolvida no ensino do psicanalista francês. Tal esforço, de tamanha verticalidade, poderia causar certa vertigem ao leitor, não fosse a astuta costura entre clínica e teoria, que oferece certos pontos de apoio em caminhos sinuosos. Seus textos se articulam de modo interessante com a organização do livro, de modo que por um lado desbravam a potência do tema no ensino de Lacan e na clínica psicanalítica, e por outro demonstram a abertura a outros encaminhamentos.

E é justamente na pluralidade que o livro ganha um interessante colorido. Seja nas considerações de Luiz Orlandi acerca do modo como repetição e diferença se conjugam no pensamento de Deleuze, seja na apresentação de Manuel da Costa Pinto sobre as nuances da repetição na literatura e na vida de Camus, a obra que vai aos poucos se construindo mostra como o mesmo conceito pode ser retomado de modo inventivo, mas sem causar grandes rupturas. Juliano Pessanha, ao tomar para si a voz de Nietzsche, coloca na forma aquilo que excede os conteúdos, reafirmando a repetição no gesto. Nessa direção, a participação de José Miguel Wisnik é notória: tanto por sua apresentação que toma a questão da repetição na poesia e na música, assim como por estar disponível enquanto áudio, em um cd que acompanha o livro. Mostra-se, portanto, que repetição e experimentação não são excludentes, pelo contrário.

Os textos que não fizeram parte do ciclo de palestras são uma boa contribuição para aqueles que os antecederam. Vinícius Castro Soares aprofunda a questão em Kierkegaard, e Michel Bousseyroux retoma a discussão com um forte acento psicanalítico. Sergio Fingermann trata, com delicadeza, a repetição na pintura, oferecendo um bonito adendo, e finalizando o livro com sensibilidade.

Em linhas gerais, o livro consegue colocar a questão da repetição para além de seu conteúdo racional. Algo que me lembrou, em diversos momentos, a obra de Walter Hugo Mãe, escritor que mostra como se pode, ao mesmo tempo, falar sobre algo e fazer esse algo falar. Trata-se, portanto, de uma excelente curadoria de Dominique Fingermann:  na convergência entre teoria, clínica e arte, o que se tem, ao menos potencialmente, não é só uma discussão conceitual, mas também um esforço de que o caráter paradoxal da repetição possa ser colocado em ato, desvelando seu caráter disruptivo. Se, por um lado, é possível ler este livro apenas como um conjunto de argumentações teóricas, sem produzir qualquer tipo de envolvimento do leitor – algo que, aliás, nunca pode ser garantido –, por outro encontra-se nele a possibilidade de uma leitura (e escuta) implicada, que mais do que um debate de ideias, é um convite a uma experiência com a obra – que pode causar, pode produzir efeitos inesperados. O paradoxo da repetição coloca-se assim de modo potente, não somente enquanto explicação racional, mas como possibilidade de experiência da obra. Possibilidade que, entretanto, só existe, acompanhando Juliano Pessanha, quando se está disposto a deixar-se tocar por aquilo que se encontra.

***

Paulo Antonio de Campos Beer é psicanalista, mestre e doutorando no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), e editor de Lacuna: uma revista de psicanálise. Membro do Laboratório de Teoria Social (LATESFIP – USP), Filosofia e Psicanálise, e da Sociedade Internacional de Psicanálise e Filosofia (SIPP-ISPP).

Deligny-Janmari – Um mapa de varrer

Vídeo de 26 minutos, com áudio da tradução para o português de Suely Rolnik e legendas em inglês.

 

Traços de uma rede alógica, amnésica, quase afásica, ora se sustentando no vazio, ora estremecendo no aberto.

 

Assista no link:   https://vimeo.com/130920217

 

Um mapa de varrer (link do VÍDEO acima) foi feita em Monoblet durante vários meses em 2014, trabalhando em estreita colaboração com dois adultos e duas crianças da rede – Gilou e Christo, que agora estão na casa dos cinquenta anos – uma pequena comunidade que é o último traço de rede engendrada com Deligny e grupo. Este trabalho pode ser visto como um mapeamento do espaço de relação entre os adultos autistas e dos adultos “neurotipicos” que vivem com eles. Este espaço é compreendido por meio de relações entre os sons e corpos. Ele é estruturado pelos movimentos percussivos de canetas e pincéis como eles se envolvem em ‘traçados’; soou através de um espectro de vozes que se entrelaçam através da duração: a voz anedótica de Jacques Lin; as expressões vocais de Gilou e Christoph; os de pássaro, notas músicais de Malika e Amar e o objeto-voz de materiais agitados ou friccionados por “pessoas” que estão fora da línguagem.

“Só a resistência criará pausas democráticas”. Luiz Orlandi

Após o programa fantástico propiciado pela canalhice
levada a cabo pela mistura de banditismo e precariedade mental de sub-representantes
do provo, falar em “pausa democrática” é servir-se de uma linguagem dos relativamente
bem sintonizados com um dos mais cínicos golpismos.

 

O único aspecto democrático dessa “pausa” (que, a rigor, é um hediondo pós-operatório) está
nos exemplos de resistência ao deplorável e nos exemplos de solidariedade aos vitimados
pelo golpismo. Eu poderia juntar também a esse aspecto da “pausa” um certo nível de
arrependimento de muitos que marcharam contra uma mulher não manchada por corrupção.

 

Só mais uma coisa: nem mesmo o retorno da presidenta diretamente eleita dará a esse
tempo da tapeação, tempo de risos canalhas e de continuísmo das negociatas, o caráter
de uma pausa democrática. Ele será sempre um tempo de reacomodação dos conluios
entre os bem posicionados nas cavernas da “pausa”… caverna do vampirismo capitalista,
assessorado pelo vampirismo de representantes bandidos e pelo vampirismo de amigos da onça.

 

Só a resistência a manobras que tapeiam o povo criará pausas democráticas.

 

Abraços do Orlandi

In: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=225617901140625&id=100010772496273&__mref=message_bubble