O MÍNIMO GESTO (Le Moindre Geste), de Fernand Deligny, 1971. Tradução e legendas de Rodrigo Lucheta

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O MÍNIMO GESTO (Le Moindre Geste), de Fernand Deligny, 1971. Tradução e legendas de Rodrigo Lucheta

SINOPSE: Yves é considerado pela instituição hospitalar como “ineducável e irrecuperável”. Acolhido aos cuidados de Fernand Deligny, educador singular cujas tentativas de curas livres recusam o ordinário dos métodos psiquiátricos, Yves se torna em 1963 o personagem principal deste filme rodado nas montanhas de Cévennes. Yves e Richard fogem do asilo. Escondendo-se, Richard cai num buraco. A filha de um operário da pedreira próxima observa Yves sozinho e o reconduz ao asilo.

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In: http://intensidadez.unblog.fr/2015/04/26/filme-o-minimo-gesto-1971-fernand-deligny/

Por: Nicolas Philibert | Trad.: Rodrigo Lucheta

 O Mínimo Gesto (Le Moindre Geste) de Fernand Deligny, 1971.

« Débil mental », dizem os especialistas. Tal como é no mínimo gesto, ele o é na vida cotidiana que levamos juntos há mais de 10 anos…. Tal como é, para nós ele é uma fonte inesgotável de riso o tempo todo, desde que chega. E neste filme como na vida, portador de uma palavra que eu asseguro não ser a minha. Poderão dizer que ela seja dele? Mas por que é preciso dizer que as palavras pertencem a alguém, mesmo se esse alguém as pronuncia?”. (Fernand Deligny)

Yves e Deligny“O Mínimo Gesto” de Fernand Deligny, Josée Manenti e Jean-Pierre Daniel é a história de um filme que não se parece com nada já visto. É de uma força rara e indizível. Um filme desviante, rodado fora das sendas batidas, fora de todo quadro de produção, sem técnica nem atores…

Estamos em 1963, em uma vila nas Cévennes onde Fernand Deligny encontrou refúgio com alguns remanescentes de La Grande Cordée, uma associação criada anos antes: “tentativa de levar a cabo a cura livre de adolescentes infratores, psicóticos, delinquentes”. O roteiro, manifestamente inventado no dia-a-dia, toma por base uma fábula inventada por Deligny: um garoto foge do asilo, um outro (Yves) parte em seu rastro, e erra longamente na paisagem…

Josée Manenti fez parte da minúscula equipe que acompanhou Deligny. Então uma jovem moça de 20 anos (que se tornará psicanalista posteriormente), Manenti pegava pela primeira vez numa câmera. O filme é talvez mero pretexto. Trata-se antes de tudo de criar matéria para estruturar, nutrir o cotidiano. Yves, por isso, será o ator. Manenti cercava-o há anos: ele é um dos sobreviventes (de La Cordée). Ela o filma com uma inacreditável percepção da luz e do enquadramento, antecipando cada um de seus gestos, cada um de seus mínimos movimentos, adivinhando o imprevisível.

Yves com a imagemNada de diálogos, mas a cada noite, retornando ao vilarejo, Yves fala sobre o seu dia em um gravador, produzindo monólogos ditos, berrados por uma voz vinda das profundezas. Inquietante, extraordinário. As filmagens durarão dois anos… A continuação não é menos surpreendente. Deligny e os seus deixam Cévennes. As dificuldades começam. Será necessário parar a montagem: falta de dinheiro. As imagens e os sons estão encalhados no fundo de uma mala, que eles carregarão durante quatro anos, de um lado a outro pela França. Em 1969, por intermédio de um amigo comum, a mala aterrissa em Marselha, na casa de um jovem operador, Jean-Pierre Daniel. Ele não conhecia nem Josée nem Deligny, e não sabia nada desta aventura, mas pouco a pouco ele vai se apropriar dessas imagens, vai montá-las, fabricar para elas um destino…

Hoje este filme nos é dado a ver. E essas imagens como que fora do tempo, essas imagens obscuras, luminosas, cruas, irredutíveis, são da maior intensidade…

Yves e a árvoreSINOPSE:

Yves é considerado pela instituição hospitalar como “ineducável e irrecuperável”. Acolhido aos cuidados de Fernand Deligny, educador singular cujas tentativas de curas livres recusam o ordinário dos métodos psiquiátricos, Yves se torna em 1963 o personagem principal deste filme rodado nas montanhas de Cévennes.

Yves e Richard fogem do asilo. Escondendo-se, Richard cai num buraco. A filha de um operário da pedreira próxima observa Yves sozinho e o reconduz ao asilo.

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FICHA TÉCNICA:

Título original: Le moindre geste.

Ano de lançamento: 1971.

Direção: Fernand Deligny, Josée Manenti e Jean-Pierre Daniel.

Roteiro: Fernand Deligny.

País de produção: França.

Idioma: Francês.

Legendas: Português brasileiro.

Duração: 81 min.

ELENCO:

Yves Guignard: Yves.

Richard Brougère: Richard.

Numa Durand: Numa.

Anita Durand: Any.

Marie-Rose Aubert: Marie-Rose.

A ESTÓRIA DA FIGUEIRA – Filme de Julia Zakia

A Estória da Figueira é uma adaptação da cantiga luso-brasileira de mesmo nome. Um pai viúvo e sua filha pequena moram em um lugarejo perdido, na vizinhança também habita uma mulher que prepara deliciosos bolos de mel e um jardineiro que cuida das plantas e dos bichos. A menina pede para o pai se casar com a vizinha, ao que ele se recusa, mas a filha insiste e a vida de todos começa a mudar depois do casamento.

Que social democracia não dá a ordem de atirar quando a miséria sai de seu território ou gueto? Os direitos não salvam nem os homens, nem um pensamento que se reterritorializa sobre o Estado democrático. Os direitos humanos não nos farão abençoar o capitalismo .Os direitos humanos não dizem nada sobre os modos de existência imanentes do homem provido de direitos.

(…) os Estados democráticos são ligados de tal maneira, e comprometidos, com os Estados ditatoriais que a defesa dos direitos do homem deve necessariamente passar pela crítica interna de toda democracia. Todo democrata é também “o outro Tartufo” de Beaumarchais, o Tartufo (hipócrita) humanitário como dizia Péguy (…) Os direitos do homem são máximas: elas podem coexistir no mercado com muitos outros slogans, especialmente na segurança da propriedade, que os ignoram ou ainda os suspendem, mais do que os contradizem: “a impura mistura ou o impuro lado a lado”, dizia Nietzsche. Quem pode manter e gerar a miséria, e a desterritorialização-reterritorialização das favelas, salvo polícias e exércitos poderosos que coexistem com as democracias? Que social democracia não dá a ordem de atirar quando a miséria sai de seu território ou gueto? Os direitos não salvam nem os homens, nem um pensamento que se reterritorializa sobre o Estado democrático. Os direitos do homem não nos farão abençoar o capitalismo. E é preciso muita inocência, ou safadeza, a uma filosofia da comunicação que pretende restaurar a sociedade de amigos ou mesmo de sábios, formando uma opinião universal como “consenso” capaz de moralizar as nações, os Estados e o mercado .Os direitos do homem não dizem nada sobre os modos de existência imanentes do homem provido de direitos. E a vergonha de ser um homem, nós não a experimentamos somente nas situações extremas do nazismo e dos campos de concentração descritas por Primo Levi, mas nas condições insignificantes, ante a baixeza e a vulgaridade da existência que impregnam as democracias, ante a propagação desses modos de existência e de pensamento-para-o mercado, ante os valores, os ideais e as opiniões de nossa época. A ignomínia das possibilidades de vida que nos são oferecidas aparecem de dentro. Não nos sentimos fora de nossa época, ao contrário, não cessamos de estabelecer com ela compromissos vergonhosos. Este sentimento de vergonha é um dos mais poderosos motivos da filosofia. Não somos responsáveis pelas vítimas, mas diante das vítimas. E não há outro meio senão fazer como o animal (rosnar, escavar o chão, nitrir, convulsionar-se) para escapar ao ignóbil: o pensamento mesmo está por vezes mais próximo de um animal que morre do que de um homem vivo, mesmo democrata. Se a filosofia se reterritorializa sobre o conceito, ela não encontra sua condição na forma presente do Estado democrático, ou num cogito de comunicação mais duvidoso ainda que o cogito da reflexão. Não nos falta comunicação, ao contrário, nós temos comunicação demais, falta-nos criação. Falta-nos resistência ao presente. A criação de conceitos faz apelo por si mesma a uma forma futura, invoca uma nova terra e um povo que não existe ainda. A europeização não constitui um devir, constitui somente a história do capitalismo que impede o devir dos povos sujeitados. A arte e a filosofia juntam-se neste ponto, a constituição de uma terra e de um povo ausentes, como correlato da criação. Não são autores populistas, mas os mais inventivos que exigem esse porvir. Esse povo e essa terra não serão reencontrados em nossas democracias. As democracias são maiorias, mas um devir é por natureza o que se subtrai sempre à maioria. É uma posição complexa, ambígua, a de muitos autores com relação à democracia. (…) a raça invocada pela arte ou a filosofia não é a que se pretende pura, mas uma raça oprimida, bastarda, inferior, anárquica, nômade, irremediavelmente menor — aqueles que Kant excluía das vias da nova Crítica… Artaud dizia: escrever para os analfabetos — falar para os afásicos, pensar para os acéfalos. Mas que significa “para”? Não é “com vistas a…”. Nem mesmo “em lugar de…”. É “diante”. É uma questão de devir. O pensador não é acéfalo, afásico ou analfabeto, mas se torna. Torna-se índio, não pára de se tornar, talvez “para que” o índio, que é índio, se torne ele mesmo outra coisa e possa escapar a sua agonia. Pensamos e escrevemos para os animais. Tornamo-nos animal, para que o animal também se torne outra coisa. A agonia de um rato ou a execução de um bezerro permanecem presentes no pensamento, não por piedade, mas como a zona de troca entre o homem e o animal, em que algo de um passa ao outro. É a relação constitutiva da filosofia com a não-filosofia. O devir é sempre duplo, e é este duplo devir que constitui o povo por vir e a nova terra. O filósofo deve tornar-se não-filósofo, para que a não-filosofia se torne a terra e o povo da filosofia. Mesmo um filósofo tão bem considerado como o bispo Berkeley não pára de dizer: nós, os irlandeses, o populacho… O povo é interior ao pensador, porque é um “devir-povo”, na medida em que o pensador é interior ao povo, como devir não menos ilimitado. O artista ou o filósofo são bem incapazes de criar um povo, só podem invocá-lo, com todas as suas forças. Um povo só pode ser criado em sofrimentos abomináveis, e tampouco pode cuidar de arte ou de filosofia. Mas os livros de filosofia e as obras de arte contêm também sua soma inimaginável de sofrimento que faz pressentir o advento de um povo. Eles têm em comum resistir, resistir à morte, à servidão, ao intolerável, à vergonha, ao presente.

D;G

Potência da INfâmia, isto é, de não ter fama,e, escrever “no lugar de” e “para uso de”

Às vezes um “pequeno” conceito pode ajudar na análise dos dados que estamos produzindo. A noção de Foucault de “homem infame” (que quer dizer “homem sem fama”, ANÔNIMO) poderia ser uma peça na análise (já em curso) de nosso trabalho, e, inclusive da nossa implicação? O artigo sobre ” La vie des hommes infâmes” é uma concepção cheia de uma alegria discreta e etimologicamente o homem comum, o homem qualquer,  o INFAME é aquele bruscamente iluminado por um fato “corriqueiro”, queixa dos vizinhos, doença-trabalho escravo , presença da polícia, conselho tutelar,  processo …O homem infame  é o homem confrontado ao poder (sanitário e assistencial, inclusive), intimado a falar e a se mostrar. Ele está ainda mais próximo de Tchekhov que de Kafka. Em Tchekhov há o relato da empregada que estrangula o bebê porque não podia dormir há várias noites, ou do camponês que é processado porque arranca trilhos para reforçar sua vara de pescar. Não se trata de homens ou vidas célebres que já dispunham de palavra e luz.  Se trata de vidas supostamente adoecidas e ou em conflito com a lei, obscuras e mudas (SEM FAMA), que só ao encontrar-se com uma instância de poder estatal (uma UBS, CRAS, UNIFESP, conselho tutelar e outros personagens: Psicólogos, médicos, operadores sociais, agentes comunitários – todos os incumbidos de narrativas de um si sempre terceirizado pelos que  lhe “cuidam” e pelos que lhe “assistem” )  ao enfrentar-se ou “serem cuidados em rede”, saem para  luz e falam por um instante (SAEM DO ANÔNIMATO). Dir-se-ia inclusive que se sob o saber não existe uma experiência originaria livre e selvagem, como desejaria a fenomenologia, é porque o “ver e o falar” sempre estão totalmente imersos em relações de poder que eles  supõe e atualizam. O homem infame é o Dasein [o ser-aí]. O homem infame é uma partícula apoderada por um feixe luminoso e uma onda acústica.  Pode ser que a “glória” não proceda de maneira diferente: ser captado por um poder, por uma instância do poder que nos faz ver e falar. Houve um momento em que Foucault suportava mal o fato de ser conhecido: o que quer que dissesse, era esperado, para ser elogiado ou criticado, sequer tentavam compreender. Como reconquistar o inesperado? O inesperado é uma condição de trabalho. Ser um homem infame era como um sonho de Foucault, seu sonho cômico, o seu riso: sou um homem infame? Seu texto” La vie des hommes infâmes” é uma obra prima.(…) “La vie des hommes infâmes” é uma obra prima de comicidade e de beleza; há em Foucault algo que é próximo de Tchekhov. Retomando o ponto anterior produzimos verdade, enquanto fazemos ver e fazer falar vidas infames. Produzimos verdade enquanto problema. Trata-se de existências ditas “adoecidas”, “faltosas”, às vezes “criminais”, mas obscuras e mudas, cujo encontro com o poder, cujo choque com o poder – NÓS TAMBÉM SOMOS UMA DESSAS INSTÂNCIAS DE PODER – coloca-os sob as luzes por um instante e faz com que eles falem. Pode-se mesmo dizer que se não há, “sob” (POR BAIXO) (d) o saber (QUE TAMBÉM EXERCEMOS) uma experiência originária livre, pura e selvagem,e, é porque o “Ver e o Falar” sempre estiveram inteiramente presos nas relações de poder que eles supõem e atualizam. Por exemplo, se procurarmos determinar um corpus de frases e de textos para deles extrair enunciados, só podemos fazê-lo designando os focos de poder (e de resistência) dos quais esses corpus depende. Eis o essencial: se as relações de poder implicam as relações de saber, estas, em compensação, supõem aquelas. (…)  Certamente o poder, se considerado abstratamente, não vê e não fala. É uma toupeira que sabe se orientar apenas em sua rede de galerias, em sua toca múltipla: ele “se exerce a partir de inúmeros pontos” ele “vem de baixo”. Mas, justamente, como ele mesmo não fala e não vê, faz ver e falar. Como se apresenta no projeto de Foucault relativo à “vida dos homens infames”.  O nosso projeto atravessa talvez esses problemas..

G.D

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Seria preciso pensar esse conjunto de problemas dos infames e relacioná-los com as sondagens, escritas e nisso tudo escrevemos uma narrativa para ser lida, ou seja, “para uso de”, “dirigido a”. Escrevesse “para uso dos leitores”. Mas também se escreve pelos  não-leitores, ou seja,  “no lugar de” e não “para uso de”. Escreve-se “para uso de” e “no lugar de”. Nesses trabalhos “escrevemos por”, “Escrevo pelos analfabetos, pelos doentes, pelos idiotas”. W. Faulkner diz escrever pelos idiotas. Ou seja, não para os idiotas, os analfabetos, para que os idiotas, os analfabetos o leiam, mas no lugar dos analfabetos, dos idiotas. “Escrevo no lugar dos selvagens, escrevo no lugar dos bichos”. O que isso quer dizer? Por que se diz uma coisa dessas? “Escrevo no lugar dos analfabetos, dos catadores, idiotas, dos bichos”. É isso que se faz, literalmente, quando se escreve. Quando se escreve, não se trata de história privada. Escrever não é assunto privado de alguém. É se lançar. Interessa escrever “pelos”  analfabetos, pelos doentes, pelos animais, não para eles, não vou escrever para meu gato, meu cachorro. Mas escrever “no lugar” dos animais que morrem que é levar a linguagem a esse limite. Transitar por essa faixa sensível “no lugar” do doente, do analfabeto, da criança albergada. escrever é mostrar a vida. É testemunhar em favor da vida, das crianças que estão morrendo e ou nascendo. Escrever  não é tornar-se escritor, nem um memorialista Mas também não se escreve pelo simples ato de escrever. Acho que se escreve porque algo da vida passa em nós. Qualquer coisa. Escreve-se para a vida. É isso. Nós nos tornamos alguma coisa. Só uma existência que se mostra já é uma resistência.  Sempre escrevemos pelos animais, ou seja, no seu lugar. Os animais não escreveriam, porque não sabem escrever. Nesses movimentos trata-se de  liberar a vida das prisões do “ homem” [forma do homem-branco-macho-racional-europeu, padrão majoritário da saúde e da cultura do Ocidente]…. E isso é resistir e escrever.

D.

Resistência – Orlandi

Orlandi

“(…) há toda uma tomada de consciências pelas forças que dominam vários níveis de inflamação das opiniões, forças que, para tanto, nem mesmo precisam da efetiva criação do novo, de invenções interessantes que tanto apaixonavam Gabriel Tarde.
Para contagiar (termo que Tarde recebe de Pasteur) crenças e desejos com suas perspectivas de dominação, essas forças midiáticas não precisam inovar em campo algum dos saberes, das artes, do exercício filosófico do pensamento e nem mesmo em variações religiosas que andam bem sucedidas hoje nos níveis parlamentares brasileiros.

Diante disso, fica difícil entendermos a adesão de tanta gente — não a um sentimento de repúdio a roubalheiras, a corrupções, a decepções por não terem eleito seus candidatos — mas a um certo estilo de manifestação pública incapaz de inibir a erupção de grosserias em seu movimento, grosserias que se desenham como linhas de exibicionismo fascista, linhas não criadas (talvez) pelas referidas forças, mas que elas, sorridentes, redimensionam em nível televisivo. Que tipo de linhagem fascista é esse? Com que cúmplices essa linhagem está agenciada? Qual é sua profundidade social? São perguntas inevitáveis. Mas acho que precisamos, também e principalmente, cuidar da única perspectiva que me parece capaz de reduzir o engrossamento social dessa linhagem ainda não unitária, mas plural. Sua mensagem disse uma palavra na direção dessa perspectiva: resistência. Sim, resistência entendida como esforço por juntarmo-nos com forças criadoras de alternativas críticas de aprofundamento e expansão de convivências substancialmente democráticas em todos os setores. Resistência árdua e demorada, sem dúvida, mas a única que as linhagens fascistas não suportam. É claro que precisamos de descanso em momentos de abatimento. Tudo bem. Nesses momentos, basta não abrir os canais televisivos das forças globais, por exemplo. Já é um micro ato de resistência, pois não se recria o ódio nos nervos diante de imagens de baixarias, ao mesmo tempo em que não se colabora com o ibopismo.”

 

Luiz B.L. Orlandi