Interessa pulverizar a noção de “força de trabalho”.

O que um fotógrafo está disposto a pagar?

Em certos casos, se dispõe a pagar seu modelo. Em outros, é pago por seu modelo. Mas quando fotografa torturas ou uma execução, ele não paga nem a vítima nem o carrasco.

E quando fotografa crianças doentes feridas ou famintas, por que não as paga?

De maneira análoga, Guattari propunha num congresso de psicanálise que os analisandos fossem pagos pelo menos tanto quanto os psicanalistas, visto que não se pode propriamente dizer que o psicanalista forneça um “serviço”, há antes divisão de trabalho, evolução de dois tipos de trabalho não paralelos: o trabalho de escuta e de peneiragem do psicanalista, mas também o trabalho do inconsciente do analisando. A proposta de Guattari parece que não foi adotada.

Godard diz a mesma coisa: por que não pagar as pessoas que assistem a televisão, em vez de fazê-las pagar, já que elas fornecem um verdadeiro trabalho e exercem, por sua vez, um serviço público?

A divisão social do trabalho implica que numa fábrica seja pago o trabalho de produção, mas também o da administração e o dos laboratórios de pesquisa. Caso contrário, por que não imaginar os operários sendo obrigados a pagar eles mesmos os desenhistas que planejam seus produtos?

Creio que todas essas questões e muitas outras, todas essas imagens e muitas outras, tendem a pulverizar a noção de força de trabalho.

G.D

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