Conversações sobre William Burroughs no Museu da Cultura (PUC-SP)


19 de março – Quarta feira – 19h30 – 
“Burroughs, Drogas, Sociedade de Controle” – Edson Passetti e Wander Wilson
(Pátio do Museu da Cultura – Em caso de chuva auditório 134-CPrédio Novo – PUC/SP)

20 de março – Quinta feira  19h30 – A Atualidade de William Burroughs” – Beatriz Sicigliano Carneiro, Cláudio Willer e Rodrigo Garcia Lopes
(Pátio do Museu da Cultura – Em caso de chuva auditório 134-CPrédio Novo – PUC/SP)

21 de março – Sexta feira – 19h30 – “Cut-Up Burroughs” – Acácio Augusto, Marcos Felinto, Vitor Osório e Wander Wilson
(Museu da Cultura)

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Museu da Cultura
Tel: 11 3670.8559 / 8331
museudacultura@pucsp.br
www.pucsp.br/museudacultura

Abrir uma porta

 

A Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro Franceses (SNCF) quis provar que chega a cada vez mais lugares em todo o mundo. Para isso, em parceria com TBWA Paris, criou uma ação que tenta mostra que qualquer uma das principais cidades europeias está ao alcance do “abrir uma porta”.

Em algumas ruas da cidade de Paris foram colocadas misteriosas portas ligadas a praças de diversas capitais da Europa. Abrindo cada uma dessas portas, ficava de frente de uma tela onde podia ver, em tempo real, o que estava acontecendo naquela cidade específica.

Podia jogar com um mímico em Milão, ter seus retratos desenhados em Bruxelas, dançar com um grupo de hip-hop em Barcelona, compartilhar um romântico passeio de barco no Lago de Genebra, ou mesmo participar de um grupo de jovens alemães em um passeio de bicicleta em Stuttgart. Estas experiências interativas e divertidas procuravam mostrar a todos que, no final do dia, a Europa é apenas ali ao lado.

Clique no link abaixo

http://comunicadores.info/2013/11/05/misteriosas-portas-meio-pracas-conectam-cidades-europeias/

 

“Um jogo de portas abertas a encontros alegres entre estrangeiros.

 

Enquanto isso, alguns tristes pedem retorno de ditaduras por aqui.”

 

Luiz Orlandi

 

Negacionismo – Por Vladimir Safatle

“(…) será sempre negacionista toda historiografia que visa minimizar crimes contra a humanidade, servindo-se de leituras tortas para dirimir o ímpeto social por punição e justiça contra os que se serviram do Estado para impor um regime assentado na violência bruta e na eliminação de setores descontentes da população.”

 

“Assim, já faz algum tempo que os interessados na história brasileira alertam para a repetição a qual as sociedades estão submetidas quando são incapazes de elaborar seu passado. Essa lei é tão forte quanto a lei da gravidade.”

 

“Não é de se estranhar que, dos esgotos do conservadorismo nacional, apareça novamente esse cortejo de fetichistas de quarteis, apolíticos amantes de políticos de direita, defensores da família brasileira com sua produção em série de neuróticos e membros do Grupo Armado do Menino Jesus.”

 

Leitura completa do texto no link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/156896-negacionismo.shtml

 

 

O avião sumido é, até prova em contrário, o objeto desidentificado, o avesso do disco voador. Este figurava a aparição do que não há, como promessa de sentido no horizonte das teleologias. Aquele é a desaparição do que há, o blecaute de sentido pondo em questão, mesmo que por um momento, a fantasia de controle absoluto que domina o mundo.

Objeto desidentificado

Há alguma coisa particularmente vertiginosa no acidente em suspenso do Boeing 777 da Malaysia Airlines

José Miguel Wisnik

Não sei como estará a situação no sábado, quando este artigo for publicado. Na quinta-feira, em que escrevo, as notícias desencontradas continuam não dando conta do paradeiro do Boeing 777 da Malaysia Airlines. É desse lugar que falo, ou melhor, é disso: do avião que está fora do ar, em todos os sentidos. Falo do apagão ao longo do qual não conseguimos mentalizar o destino das 239 pessoas, a perplexidade dos amigos e parentes, a dimensão humana, em suma, do acontecimento. Pois há alguma coisa particularmente vertiginosa no acidente em suspenso, na catástrofe entre parênteses — essa que já aconteceu, ao mesmo tempo em que ainda não aconteceu. Muitos casos de aviões desaparecidos sem deixar traço são relatados na história da aviação como insolúveis. Mas, além de não serem aviões de máximo porte, como é o caso agora, não sumiram do mapa numa época, como a nossa, em que se fechou um cerco sobre tudo quanto existe, tornando inconcebível que um objeto, qualquer que seja, escape, ainda que por um momento, ao controle e à captura.

Por isso mesmo, é diferente, hoje, o sentido desse vazio e desse hiato. No tempo em que as tragédias reais são denegadas, em que o oceano não é mais tido como inescrutável, em que a morte não tem permissão para fazer o seu trabalho, o avião desaparecido grita aos céus, mais do que como um índice da pequenez humana, como uma heresia frente a essa religião contemporânea que podemos chamar de tecnocapitalismo. Desde o celular de qualquer pessoa, capaz de fotografar e pôr no mundo qualquer acontecimento imediato, passando pelas câmeras vigilantes espalhadas por toda parte, pela onipresença dos meios digitais e pelo alcance fulminante das máquinas de guerra, um aparato intensivo e extensivo de vigilância pressupõe que tudo está dentro do sistema. Que não o esteja, que não possa ser rastreado, configura uma espécie de escândalo novo e infinito enquanto dure.

Por isso, também, as especulações e a queda das versões, uma a uma, soam patéticas, junto com o bater de cabeças de empresas, autoridades estatais, organismos internacionais envolvidos, técnicos, financeiros, militares. Elas são a tentativa de cobrir o quanto antes com uma narrativa verossímil o até agora insondável sumiço, e o rombo que ele escancara na ordem do mundo. Pois enquanto o jato não estiver em lugar nenhum do sistema estará aberto o perigoso precedente a coisas que não estejam em lugar nenhum do sistema. Quem não fantasiou, mesmo que por um instante, quase sem triscar a consciência, estar nesse avião, conhecer a outra dimensão prometida pela sua errância, seja ela a ilha da utopia, a morte sem dor (já que ausentes os sinais concretos da queda) ou, principalmente, o gozo de estar fora do alcance da grande máquina?

Descartada a hipótese de terrorismo (os iranianos com passaportes falsos estariam tentando exílio na Europa através de “quadrilhas de contrabando humano”), desqualificada a localização da mancha de óleo, inconclusivos os fragmentos registrados por um satélite chinês, divergentes as informações sobre as mudanças de rota do avião, aventadas as possibilidades de acontecimentos extremos dentro da aeronave, lutas, suicídio, explosão, falha de turbinas, turbulências em céu de brigadeiro, ruptura no ar e queda súbita de pressão, o mais recente indício vem do comandante-chefe da Força Aérea Real Malaia, dizendo que radares militares detectaram um “objeto não identificado” no norte do Estreito de Malaca cerca de uma hora depois do desaparecimento, embora não se possa “afirmar nem excluir” que se tratasse da aeronave em questão, implicando isso, apenas, em mais uma ampliação do raio das buscas.

A expressão “objeto não identificado” vem, aqui, bem a propósito. Jung achava que os relatos sobre discos voadores deveriam ser interpretados como sinais do inconsciente coletivo: com sua forma esférica, à maneira de lentilhas celestes, os discos eram um apelo simbólico à integração psíquica da Humanidade no pós-guerra. Roland Barthes interpretou a mitologia dos marcianos, num texto delicioso, como epifenômeno da Guerra Fria. Um trotskista argentino, e maluco, profetizava que os extraterrestres eram a aparição no presente da sociedade socialista do futuro. (Será por isso que eles “compareceram” tanto entre os anos 1950 e 70, ou início dos 80, que é de quando data o “ET”, e depois simplesmente “desistiram” de nós?)

O avião sumido é, até prova em contrário, o objeto desidentificado, o avesso do disco voador. Este figurava a aparição do que não há, como promessa de sentido no horizonte das teleologias. Aquele é a desaparição do que há, o blecaute de sentido pondo em questão, mesmo que por um momento, a fantasia de controle absoluto que domina o mundo.

 

 

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/objeto-desidentificado-11883053#ixzz2wFJ7WNNP