Pasolini entrevista Ezra Pound e lê o poema abaixo (7 minutos com legendas)

Canto 81 – Fragmento (Ezra Pound N)

O que amas de verdade permanece,

o resto é escória.

O que amas de verdade não te será arrancado

O que amas de verdade é tua herança verdadeira

Mundo de quem, meu ou deles

Ou não é de ninguém?

Veio o visível primeiro, depois o palpável

Elísio, ainda que fosse nas câmaras do inferno,

O que amas de verdade é tua herança verdadeira

O que amas de verdade não te será arrancado

A formiga é um centauro em seu mundo de dragões.

Abaixo tua vaidade, nem coragem

Nem ordem, nem graça são obras do homem,

Abaixo tua vaidade, eu digo abaixo.

Aprende com o mundo verde o teu lugar

Na escala da invenção ou arte verdadeira,

Abaixo tua vaidade,

Paquim, abaixo!

O elmo verde superou tua elegância.

“Domina-te e os outros te suportarão”

Abaixo tua vaidade

Tu és um cão surrado e largado ao granizo,

Uma pega inchada sob um sol instável,

Metade branca, metade negra

E confundes a asa com a cauda

Abaixo tua vaidade

Que mesquinhos os teus ódios

Nutridos na mentira,

Abaixo tua vaidade

Ávido em destruir, avaro em caridade,

Abaixo tua vaidade,

Eu digo abaixo.

Mas ter feito em lugar de não fazer

isto não é vaidade

Ter, com decência, batido

Para que um Blunt abrisse

ter colhido no ar a tradição mais viva

Ou num belo olho antigo a flama inconquistada

Isto não é vaidade.

Aqui o erro todo consiste em não ter feito.

Todo:na timidez que vacilou

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Revista Alegrar, n 12: Na rua | Em movimento [o incalculável da política]

 

http://www.alegrar.com.br/revista12/

 

Editorial 12

Na rua | Em movimento

[o incalculável da política]

 

Para o número 12 da Revista Alegrar, convidamos Ana Godoy para compor um dossiê em torno dos movimentos que tomaram as ruas do mundo e do Brasil, desde junho de 2013. Não buscávamos, nem as editoras da revista, nem a editora do dossiê, nem os produtores dos textos, vídeos e ensaios fotográficos que ora apresentamos, respostas a respeito do futuro das manifestações. Já se fez nítido que elas compõem um mosaico de frentes de luta locais, não totalizáveis sob a égide de um ideal unificador. A aposta do dossiê coletivo Na rua | Em movimento talvez seja a de captar as forças acionadas nos múltiplos encontros e embates recentes de modo a problematizá-las como acontecimentos, ou momentos de uma micro-política dos afetos. Algo se passou, algo está acontecendo e quisemos reunir aqui elementos para ajudar a pensar e sentir as diferenças produzidas nessas ocasiões e, quem sabe, também proliferá-las.

 

Kátia Kasper e Cíntia Vieira da Silva.

 

 

O inabarcável da rua em movimento – uma apresentação

Ana Godoy

 

NOTAS E ENSAIOS ESCRITOS

Uma nova coreografia política

Peter Pál Pelbart

 

As revoltas em rede como uma nova arquitetura do protesto

Bernardo Gutiérrez

 

Eu também fui arrastada

Elizabeth de Araújo Lima

 

‘A liberdade é uma prática’! Anotações extemporâneas sobre militâncias e rebeldias

Natalia Montebello

 

Manifestações no Brasil de 2013

Luiz B. L. Orlandi

 

Violência, Democracia e black blocs

Nildo Avelino

 

Figurações do futuro. Da forma e temporalidade dos protestos entre ativistas da Esquerda Radical na Europa

Stine Krøijer

 

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS

A face da cólera (texto) (imagens)

Guilherme Minoti

 

O Rio na rua (texto) (imagens)

Ana Carolina Fernandes

 

Não é por apenas 20 centavos (texto) (imagens)

Luiz Roberto Lima

 

Somos muitos… (texto) (imagens)

Leonardo Carrato

 

manifestaSP (texto) (imagens)

Coletivo selvaSP

 

Dia da Independência (texto) (imagens)

Leonardo Merçon

 

Retr(ato) Kaingang (texto) (imagens)

Marcio Garcia

 

INTERVENÇÃO URBANA

Notas breves e uma rápida conversa com o coletivo FotoProtestoSP

FotoProtesto I Ato (imagens)

Coletivo FotoProtestoSP

 

CARTAS DA RUA

Abertura [português] [espanhol]

Silvia D’Almeida | Eduardo Losicer | Oswaldo Saidon [português] [espanhol]

Agilson Jânio C. Lobato Junior

A. B. M.

Ana Cernov

C. M.

Michael Franklin Donatti

Danilo Bezerra

I. F.

Isadora Szklo

J. A.

J. L.

Jony Pupo

L. G.

Sylvia | Diego

W. V.

 

ESTILHAÇOS

Ricardo Chacal

MaCca (texto) (vídeo)

André Queiroz

 

VIDEO-DOCUMENTÁRIO

Como cobrir (sem saber exatamente como) uma revolta popular contra, entre outras coisas, a polícia

Pedro Rocha

 

Com vandalismo [documentário]

Coletivo Nigéria

 

Foto da capa: Estefan Radovicz

[publicada no Grupo Treze]

COMUM e IMUN. Como podemos gerar imunidade mais frágil? Jean Luc Nancy

É bem, talvez um pouco essa seja a tarefa atual de pensar. Hoje a humanidade se sente como se tivesse introduzido dentro de si mesma uma quantidade de intrusos, por exemplo: os organismos modificados genéticamente. Tudo o que nos agrava desde o interior da nossa própria civilização e cultura, então como podemos fazer? É necessário entender que não seria o fim da humanidade, como podemos gerar imunidade mais frágil? Para poder suportar esses intrusos que estamos injetando permanentemente?

Jean Luc Nancy

“comum” e “imune”

Precisamente enquanto projetado para o exterior numa forma nunca antes experimentada, o homem moderno necessita de uma série de aparatos imunitários destinados a proteger completamente uma vida que, pela secularização das referências religiosas, está completamente entregue a “si mesma”. É então que as categorias políticas tradicionais como a de ordem e também a de liberdade assumem um sentido que as impele cada vez mais até às exigências de segurança. A liberdade, por exemplo, deixa de ser entendida como participação na direção política da polis, para converter-se em termos de segurança pessoal ao largo de uma deriva que chega até nós: é livre aquele que pode mover-se sem temer por sua vida e por seus bens. Vivemos numa sociedade em que emergem muitos fenómenos marcados pelo paradigma imunitário. Se a communitas é o que liga os seus membros num compromisso donativo mútuo, a immunitas, ao contrário, é o que os livra desse encargo, que os exonera desse ônus. Enquanto a comunidade refere-se a algo geral e aberto, a imunidade, ou imunização, refere-se à particularidade privilegiada de uma situação definida pela sua exclusão a uma condição comum. Isso é evidente na perspectiva jurídica, segundo a qual é dotado de imunidade – parlamentária ou diplomática – quem não é sujeito a uma jurisdição que concerne a todos os outros cidadãos, por derrogação da lei comum. Mas é igualmente reconhecível, na acepção médica e biológica do termo, segundo a qual a imunização, natural ou induzida, implica a capacidade por parte do organismo de resistir, graças aos seus anticorpos, a uma infecção causada por um vírus externo. Sobrepondo as duas semânticas, jurídica e médica, podemos certamente concluir que, se a comunidade determina a ruptura das barreiras de proteção da identidade individual, a imunidade constitui o modo de reconstituí-las de forma defensiva e ofensiva contra qualquer elemento externo capaz de ameaçá-la. Isso vale não somente para os indivíduos particulares, mas também para as próprias comunidades, entendidas neste caso na sua dimensão particular, imunizadas contra qualquer elemento estranho que pareça ameaçá-las a partir do seu exterior. Daí o duplo vínculo, implícito nas dinâmicas imunitárias – já típicas da modernidade e hoje cada vez mais estendidas a todos os âmbitos da experiência individual e coletiva, real e imaginária. A imunidade, ainda que necessária à conservação da nossa vida, uma vez levada além de um certo limite, a constringe numa espécie de jaula na qual acaba por perder-se, não só a nossa liberdade, mas também o próprio sentido da nossa existência, isto é, essa abertura da existência para fora de si mesma, à qual se tem dado o nome de communitas. Eis aqui a contradição que tentei pôr em relevo nos meus trabalhos: o que salvaguarda o corpo, individual, social, político, é o que ao mesmo tempo impede o seu desenvolvimento. E que, levado além de um certo limite, ameaça destruí-lo. Nas palavras de Benjamin, poderíamos dizer que a imunização em doses elevadas é o sacrifício do vivente, quer dizer, de qualquer vida qualificada, em nome da mera sobrevivência. A redução da vida à sua desnuda matéria biológica. Vê-se bem como, graças a esta chave hermenêutica, e sem recair numa metafísica substancialista, a categoria de comunidade pode readquirir uma nova conotação política. No exato momento em que o dispositivo imunitário transforma-se na síndrome, ao mesmo tempo defensiva e ofensiva, do nosso tempo, a comunidade apresenta-se como o lugar destinado (…) à resistência ao excesso de imunização que nos captura incessantemente. Se a imunidade tende a encerrar a nossa existência em círculos, ou recintos, incomunicados entre si, a comunidade, mais que um círculo maior que os compreende, é a passagem que, cruzando as suas demarcações fronteiriças, remexe a experiência humana, liberando-a da sua obsessão pela segurança (…) A imunidade, necessária para a conservação da vida individual e coletiva – nenhum de nós permaneceria vivo sem o sistema imunitário interno do nosso corpo – acaba por contrapor-se ao seu desenvolvimento, se entendida de forma exclusiva e excludente em relação a qualquer alteridade ambiental e humana. Em outras palavras, o que está em jogo é a diferença – a qual tem disputado Derrida – entre imunização e autoimunização. Todos sabemos o que são as doenças autoimunes. Trata- se dessas formas patológicas que ocorrem quando o sistema imunitário dos nossos corpos torna-se tão forte que chega a voltar-se contra si mesmo, causando a morte do próprio corpo. Naturalmente, isso não acontece sempre. Normalmente, o sistema imunitário limita-se a uma função conservadora, sem voltar-se contra o corpo que o hospeda. Mas, quando isso acontece, não é por uma causa externa, mas por efeito do próprio mecanismo imunitário, intensificado a ponto de tornar-se insuportável. Pois bem, uma dinâmica parecida é reconhecível também no corpo político, quando as barreiras de proteção contra o mundo exterior começam a tornar-se um risco maior que aquele que tentavam evitar. Como se sabe, um dos maiores riscos para as nossas sociedades hoje em dia consiste justamente num excessivo pedido de proteção, que, em alguns casos, tende a produzir uma impressão de perigo, real ou imaginário, com o único fim de ativar meios de defesa preventiva cada vez mais potentes contra ele (…). Mas é a caracterização imunitária que determina, primeiro a intensificação moderna e, mais tarde, na fase totalitária, a deriva tanatopolítica. Como bem soube ver Nietzche, o que chamamos “modernidade” não é senão a metalinguagem que tem permitido responder em termos imunitários a uma série de pedidos de proteção preventiva brotadas do fundo mesmo da vida no momento em que falhavam as promessas de salvação transcendente. (…)Trata-se, de certo modo, ou melhor, de todos os modos, de inverter as relações de força entre “comum” e “imune”. De separar, através do comum, a proteção imunitária da destruição da vida. De pensar de uma maneira diferente a função dos sistemas imunitários, fazendo deles, mais que meras barreiras excludentes, filtros de relação entre o interior e o exterior. Como? A partir de que pressupostos? Com que instrumentos? O problema se tem que enfrentar em dois níveis. O da desativação dos aparatos de imunização negativa e o da ativação de novos espaços do comum (…) Quando o mecanismo geral imunitário pôs-se em marcha, esta retirada do comum – sob a pressão convergente do próprio, do privado e do público. – tornou-se ainda mais integral. A imunidade não tem-se limitado a reforçar os confins do próprio, mas tem investido progressivamente na esfera do público também. Não é à toa que a soberania tem-se revelado o primeiro e fundamental dispositivo imunitário, ao lado das categorias, elas mesmas preventivamente imunizadas, de propriedade e de liberdade. O  paradigma imunitário da política moderna, entendendo com isso a expressão e também a tendência cada vez mais forte de proteger a vida dos riscos implícitos na relação entre os homens, em detrimento da extinção dos vínculos comunitários. Assim como para defender-se preventivamente do contágio se injeta uma porção de mal no corpo que se quer salvaguardar, também na imunização social a vida é protegida de uma forma que lhe nega seu sentido mais intensamente comum.

Roberto Espósito

 

 

TODOS SÃO BEM-VINDOS! OS QUE OCUPARAM E OS QUE SEMPRE TIVERAM VONTADE DE OCUPAR O ESPAÇO DO SENSIBILIDADES.

DIVULGAÇÃO CONFRATERNIZAÇAO TODOS SAO BEM VINDOS

PROGRAMAÇÃO:

12h30: Espetáculo de dança Jardim Secreto com Ariadne Monteiro

Local: Jardim de inverno no Térreo em frente a Secretaria

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13h30: Performance Alas Rotas –  Frida Kahlo com Los Fridos – Segunda versão do Auto-retrato com cabelo cortado (1940)

Local: Corredor do Terceiro Andar próximo ao Laboratório de sensibilidades

14h: Confraternização do Laboratório de sensibilidades
Traga sua contribuição, doce, salgado ou bebida.

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