BIENAL SESC DE DANÇA 2013

 


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Sobre a Bienal SESC de Dança 2013

Lampejos no mar escuro

“Contemporâneo é aquele que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos são, para quem deles experimenta a contemporaneidade, obscuros. Contemporâneo é, justamente, aquele que sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente.”

Giorgio Agamben

O que a seleção de coreógrafos e bailarinos reunidos em Santos para a oitava edição da Bienal Sesc de Dança diz sobre o estado atual da dança contemporânea? Falar de “estado da dança” não é a melhor estratégia, pois implicaria em fossilizar algo que, por definição, não cessa de mover-se. Como afirma Agamben, ver com nitidez o contemporâneo é tarefa tão impossível quanto enxergar os contornos de um objeto imerso na escuridão. Cada uma das companhias tem sua própria definição da atividade que desenvolve; os caminhos que as levam ao litoral paulista são tão díspares quanto seus anseios para o futuro.

Os espetáculos, vindos de cidades brasileiras tão diversas quanto Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Teresina e Uberlândia, e de países como Bélgica, Chile, França e Uruguai, são de um modo geral fruto de aprofundadas reflexões teóricas. As criações dialogam com um largo espectro de disciplinas: história da arte, filosofia, literatura, música, cultura popular, sociologia, antropologia, arquitetura… No que talvez seja um paradoxo, à complexidade do pensamento corresponde uma cena simples.

Nela, o corpo existe em sua concretude, mas é menos uma superfície lisa de mármore sob os holofotes do que uma presença que respira mistério e transformação.

Não se trata de uma dança contemporânea hermética, destinada a um reduzido público de iniciados. O encanto e a graça acontecem de maneira muitas vezes lúdica, como resultado tanto do que é mostrado como do que está escondido. A palavra e o humor têm vez, provando que o que se vê em cena são, sim, corpos de bailarinos, abertos às mais diversas influências, interessados pelo legado do teatro, da arte contemporânea, da poesia… A reprodução de movimentos decorados pode eventualmente fazer parte do repertório. Já o gesto de se pensar e pensar a própria dança, dele nunca se abdica.

 

Programação completa: http://bienaldanca2013.sescsp.org.br/

 

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