E cantam em lhano

De onde são os cantores

“Os cantores são de onde são, de onde o son, não são do ser mas do son, onde soa ser. E tudo isso que são é que faz o sabor das palavras, do que são feitas as palavras, as próprias coisas. A verdade e o significado das palavras é o que eles são-som-son, realidade contante e sonante, de tomo e lombo. Figuras, imagens, ritmos, trançados. Da lomba. Da pele da terra.

E cantam em lhano. Com lhaneza. Na superfície. Na língua que fica na ponta, na superfície, na pele da língua. Na língua com sabor-saber das coisas. Que sabe coisas. Que ouviu. Coisas. Na língua com sabor-saber das coisas que não diz. Na língua que cala com as coisas, que faz sonar-soar o silêncio das coisas. O lhano. O castelhano? O castelhano lhano, em todo o caso. Do que não há. Mãe, eles são-som-son da lomba; mãe, eles cantam em lhano. Você vai ver. Vai ver. De dom. De son. Os cantores.”

José Luis Pardo.

Tradução de Damian Kraus

Letra e música: Miguel Matamoros (1894-1971), 1922.

Letra de Son de la loma

Mamá, yo quiero saber
de dónde son los cantantes,
que los encuentro galantes
y los quiero conocer
con sus trovas fascinantes
que me las quiero aprender.
¿De dónde serán?
¡Ay, mamá!
¿Serán de La Habana?
¿Serán de Santiago,
tierra Soberana?
Son de la loma
y cantan en el llano.
¡Sí, señor!
¡Cómo no!
Mamá, ellos son de la loma,
mamá, ellos cantan en el llano.
Mamá, ellos son de la loma,
mamá, ellos cantan en el llano.

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José Luis Pardo Torío (1954). Professor de filosofia da Universidade Complutense de Madri. Traduziu para o espanhol, de Gilles Deleuze:

La isla desierta y otros textos: textos y entrevistas (1953-1974), Valencia: Pre-textos, 2005.
Conversaciones: 1972-1990, Valencia: Pre-Textos, 2006.
Dos regímenes de locos: textos y entrevistas : (1975-1995), Valencia: Pre-textos, 2007.

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De dónde son los cantantes
“Los cantantes son de donde son, de donde el son, no son del ser sino del son, de donde suena ser. Todo eso que son es lo que constituye el sabor de las palabras, de lo que están hechas las palabras, las cosas mismas. La verdad y el significado de las palabras es lo que ellos son, realidad contante y sonante, de tomo y lomo. Figuras, imágenes, ritmos, trenzados. De la loma. De la piel de la tierra.

Y cantan en llano. Llanamente. En la superficie. En la lengua que está en la punta, en la superficie, en la piel de la lengua. En la lengua que sabe a cosas. Que sabe cosas. Que ha oído. Cosas. En la lengua que sabe a cosas y no las dice. En la lengua que calla con las cosas, que hace sonar el silencio de las cosas. El llano. ¿El castellano? El castellano llano, en todo caso. De lo que no hay. Mamá, ellos son de la loma, mamá, ellos cantan en llano. Ya verás. Tú verás. De don. De son. Los cantantes.”

“De dónde son los cantantes”, Jose Luis Pardo. In: Nunca fue tan hermosa la basura. Galaxia Gutenberg (2010) [Parágrafo original, disponível on-line. In: http://letraymusik.wordpress.com/2011/04/09/de-donde-son-los-cantantes-fragmento/]

 

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V. tb. “Y cantan en llano”. In: Archipiélago: Cuadernos de crítica de la cultura, n 17, 1994, pp. 67-76. [Tr. br. T.T. & S.C.]

V. tb. “A liquefação do eu”, Damian Kraus. In: Revista Alegrar, n 5, 2008. Disponível on-line. In: http://www.alegrar.com.br/05/TEXTOS_A_05/estado.pdf]

V. tb: “Imagem de palhaço e liberdade, Luiz B.L. Orlandi. In: Revista Alegrar, n 3. Disponível on-line. In: http://www.alegrar.com.br/03/textos_alegrar_03/3_imagem.pdf]

“Foi então que a criança, fingindo-se preocupada com as perguntas do adulto, passou a levá-lo para perto de muitos outros palhaços de verdade, desses palhaços que são provedores de imagens instantâneas do caos, mas imagens capazes de fazer da alegria e da tristeza um cristal em que brilha para sempre uma extraordinária afirmação da potência de viver, essa potência que também pode levar, em meio a lamentações, a um canto pela liberdade, esse canto que se pode ouvir, por exemplo, na música Bruca Maniguá, de autoria de Arsenio Rodríguez e que ouviremos na voz de Ibrahim Ferrer” Música:

V. tb: Glosario: Son. http://www.salsa-in-cuba.com/esp/glosario_s.html

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