BIO-LYGIA CLARK – uma experiência tão biológica, celular, que só é comunicável de uma maneira celular e orgânica.

(..) na medida em que quase todos os artistas hoje vomitam a si mesmos em um processo de grande extroversão eu, solitária, engulo cada vez mais em um processo de introversão para depois realizar a ovulação que é miseravelmente dramática, um ovo por vez. Depois é um engolir novamente, um introverter-se quase até a loucura, para colocar um único ovo que não tem nada de inventado, mas sim de engendrado… loucura? Não sei. Só sei que minha maneira de atar-me ao mundo é sendo fecundada e ovulando. Nesse processo vou sozinha e por isto minha comunicação não pode ser feita por meio de espetáculos a priori, manifestações de grupos como nos outros, mas é uma experiência tão biológica, celular, que só é comunicável de uma maneira celular e orgânica.
De uma a duas, a três ou a mais, mas uma coisa sempre sai da outra e é uma comunicação extremamente intimista, de poro a poro, de pelo a pelo, de suor a suor (…)

Lygia Clark, Lygia. carta a Mário Pedrosa, 22 de maio de 1969 (trad. livre)

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