O gerânio vermelho e o divino resedá – D. H. Lawrence

Imaginar que alguma mente tenha alguma vez pensado um gerânio vermelho! Como se o vermelho de um gerânio vermelho pudesse ser outra coisa que não uma experiência sensual
e como se a experiência sensual pudesse vir antes dos sentidos.
Sabemos que nem Deus podia ter imaginado o vermelho de um gerânio vermelho nem o perfume do resedá
Quando ainda não havia gerânio nem resedá.
E mesmo depois, quando já havia, até Deus tinha que ter um nariz pra cheirar o resedá.
Não dá pra imaginar o Espírito Santo aspirando o violácio heliotrópio.
Ou o Supremo Ser, na era do carvão, quebrando sua potente cabeça, se tivesse alguma, pondo-a a trabalhar,
em meio ao musgo e à lama de lagartos e mastodontes,
para sair-se, no abstrato, quando tudo era verde crepuscular e pantanoso, com o pensamento:
“Agora teremos, tam-tam-tam-tam,
voilà, presto!: gerânio escarlate!”
Sabemos que não daria certo.
Mas imagine-se Deus, em meio ao lodo e aos mastodontes,
No profundo verde-escuro daquela confusão toda,
suspirando, ai!, cheio de desejo, de um enorme e criativo desejo,
pela existência de mais uma beleza, e outra mais,
até que elas acabassem por desabrochar: o gerânio vermelho e o resedá

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