Franz Kafka, carta a Oscar Pollak, 1904

“Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.”

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DICA do L.S – Espetáculos de 26 a 30 de janeiro.

TRUPE OLHO DA RUA

“O nosso teatro não tem janelas, nem portas, muito menos poltrona…ele é feito onde o povo está, na rua!!” Espetáculos em repertório:”Prá lá de Bagdá”,”Bufonarias II”, “Arrumadinho”, “De Olho no Porto”,”Terra Papagalli”,”Batatas,Pinheiros e Outras Histórias” e pelo mês de dezembro “Alto dos Palhaços”.

http://trupeolhodarua.blogspot.com/

 

SESC SANTOS

SOMBRAS

SESC Santos

Dia(s) 28/01, 29/01
Sábado, às 21h.; Domingo, às 18h.

O espetáculo busca a personalidade histórica do modo de ser português, cruzando linguagens (fala, canto, vídeo e a dança), criadores e intérpretes. O Fado e a música são destaques nesta produção, compondo um espetáculo onde se agitam músicos, bailarinos, atores, mágicos, coreógrafos, compositores, realizadores, cenógrafos, figurinistas e iluminadores. Direção de Ricardo Pais. Produção do Teatro Nacional São João, de Portugal. Teatro.

• LEIA MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA EONLINE

Não recomendado para menores de 16 anos

R$ 24,00 [inteira]
R$ 12,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 6,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

DICA do L.S – NEGUINHO – “Neguinho que eu falo é nós” (do último disco da Gal com músicas do Caetano)

Neguinho

Gal Costa

Neguinho não lê, neguinho não vê, não crê, pra quê
Neguinho nem quer saber
O que afinal define a vida de neguinho

Neguinho compra o jornal, neguinho fura o sinal
Nem bem nem mal, prazer
Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho?

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Se o nego acha que é difícil, fácil, tocar bem esse país
Só pensa em se dar bem – neguinho também se acha
Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz
Neguinho também só quer saber de filme em shopping

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Se o mar do Rio tá gelado
Só se vê neguinho entrar e sair correndo azul
Já na Bahia nego fica den’dum útero
Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si
Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho

Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo
Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo
Nego abre banco, igreja, sauna, escola
Nego abre os braços e a voz
Talvez seja sua vez:
Neguinho que eu falo é nós

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

 

 

imperdível no CCBB-SP! Straub-Huillet Primeira mostra no Brasil dedicada à obra do casal de cineastas franceses Jean-Marie Straub e Danièle Huillet | De 17 a 29 de janeiro de 2012

Primeira mostra no Brasil dedicada à obra do casal de cineastas franceses Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. São 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens: 26 filmes por eles realizados de 1962 a 2006 e 9 filmes realizados por Jean-Marie desde a morte de Danièle, além de 5 filmes que documentam seu processo de trabalho. Os filmes são projetados em seus formatos originais – 35 mm, 16 mm e betadigital – com legendas eletrônicas em português. A programação ainda conta com debates e o lançamento de um catálogo com textos dos cineastas e ensaios sobre sua obra.

POLÍTICA DE PEDRO COSTA – Filmes beckettianos intensivamente políticos. Nenhum lançado no Brasil.Todos na rede

 POLÍTICA DE PEDRO COSTA

Jacques Rancière

Como pensar a política dos filmes de Pedro Costa? Num primeiro nível, a resposta parece simples: os seus filmes têm aparentemente como objecto essencial uma situação que está no centro do que está em jogo, em termos políticos, no nosso presente: a sorte dos explorados, daqueles que vieram de longe, das antigas colónias africanas, para trabalhar nos estaleiros de construção portugueses, que perderam a família, a saúde, por vezes a vida nesses estaleiros; aqueles que se amontoaram ontem nos bairros de lata suburbanos antes de serem expulsos para habitações novas, mais claras, mais modernas, não necessariamente mais habitáveis. A este núcleo fundamental vêm juntar-se outros temas sensíveis: em Casa de Lava, a repressão salazarista que enviava os opositores para campos situados no mesmo sítio de onde partiam os africanos à procura de um trabalho na metrópole; a partir de Ossos, a vida dos jovens lisboetas que a droga e a deriva social enviaram para os mesmos bairros de lata, para aí partilharem a mesma vida. Uma situação social não chega, porém, para fazer uma arte política, como também nãochega uma evidente simpatia pelos explorados e pelos desamparados. Exige-se habitualmente que a isso se acrescente um modo de representação que torne ess a situação inteligível enquanto efeito de certas causas, e que a mostre como produzindo formas de consciência e afectos que a modifiquem. Reclama-se que os procedimentos formais sejam governados pelo esclarecimento das causas e da dinâmica dos efeitos. É aqui que as coisas se complicam. Em nenhum momento a câmara de Pedro Costa faz o trajecto habitual que a desloca dos lugares da misériapara os lugares onde os dominantes a produzem ou geram; em nenhum momento o poder económico que explora e desterra, ou o poder administrativo e policial que reprime e desloca as populações aparece nos seus filmes; em nenhum momento nada que se pareça com umaformulação política da situação ou um afecto de revolta se exprime pela boca das suas personagens. Dantes, alguns cineastas políticos, como Francesco Rosi, davam-nos a ver a máquina que desterrava ou deslocava os pobres. Outros, como Jean-Marie Straub ainda hoje, tomam o partido inverso, afastando a sua câmara da “miséria do mundo” para nos dar a ver, num qualquer anfiteatro de verdura, evocador de grandezas antigas e de combates de libertação modernos,homens e mulheres do povo que enfrentam a história e reivindicam orgulhosamente o projecto de um mundo justo. Nada disso em Pedro Costa: nem inscrição do bairro de lata na paisagem do capitalismo em mutação, nem instauração de um palco apropriado à grandeza colectiva. Dir-se-ia que não se trata de uma escolha deliberada, mas da realidade de uma mutaçãosocial: imigrantes cabo-verdianos, brancos de classe social baixa e jovens marginais já nãocompõem nada que se assemelhe ao proletariado, explorado e militante, que era o horizontede Rosi e continua a ser o de Straub. O seu modo de vida, mais do que de explorados, é deentregues a si próprios. Até os polícias estão ausentes do seu universo, tal como os comba-tentes da luta social. Os únicos habitantes do centro que vêm por vezes visitá-los são asenfermeiras:e, ainda assim, é uma fractura íntima que as leva a perderem-se ali, mais doque os cuidados a prestar às populações doentes. E os habitantes das Fontainhas vivem asua condição de um modo que era condenado nos tempos brechtianos, como um destino,que eles discutem no máximo para saberem se foi o céu, a sua escolha ou a sua fraquezaque os submeteu a ele. LEIA MAIS em http://pt.scribd.com/doc/38218932/Politica-de-Pedro-Costa-Jacques-Ranciere

Encontro do Coletivo Caos.O programa do Encontro do Coletivo Caos, realizado em agosto de 2011, pode ser lido em http://events.ccc.de/camp/2011/wiki/Call_for_Space_Programhttp://events.ccc.de/camp/2011/wiki/Call_for_Space_Program.

Hackers planejam lançar satélites contra a censura na rede
30/12/2011, David Meyer (editor de Tecnologia), BBC-Londres
http://www.bbc.co.uk/news/technology-16367042

Ver também
14/11/2011, “30 anos de hacking político”
http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/11/30-anos-de-hacking-politico.html
A comunidade hacker planeja pôr a Internet fora do alcance dos censores. Para isso, trabalham para pôr em órbita seus próprios satélites de comunicação. O esquema foi delineado no Congresso Caos de Comunicação, em Berlim, em agosto de 2011[1].

Os organizadores do projeto dizem que sua Rede Hacker-espacial Global [ing. Hackerspace Global Grid] também implica desenvolver uma rede de estações em terra, que fará a intercomunicação entre os satélites e as estações em terra.

Como projeto de longo prazo, trabalham para pôr na Lua um astronauta-hacker amador.

Amadores e aficionados já puseram alguns pequenos satélites em órbita – quase todos por curtos períodos de tempo –, mas o rastreamento dos satélites revelou-se difícil, para projetos de baixo orçamento.

Nick Farr, ativista hacker, lançou a primeira convocação, à procura de interessados em participar do projeto, em agosto. Disse que a ameaça crescente de censura à internet foi a principal motivação para esse trabalho.

“O principal objetivo é criar uma internet completamente incensurável, no espaço. Precisamos tirar a internet que conhecemos, do alcance dos censores. Para isso, é preciso pô-la fora do alcance das entidades terrestres que funcionam hoje” – disse Farr.

Além dos balões

Farr lembrou a lei SOPA [Stop Online Piracy Act (Lei de Combate à Pirataria Online) nos EUA, como exemplo do tipo de ameaça que já existe contra a liberdade nas redes e na Internet. Se aprovada, a lei SOPA nos EUA permitirá que algumas páginas na Internet sejam bloqueadas, sob o argumento de que agridem direitos comerciais de autor.

Até agora, todas as ações e intervenções no espaço sideral têm sido prerrogativa de agências nacionais e de empresas gigantes de comunicação. Mas alguns amadores dedicados já puseram em órbita, recentemente, alguns pequenos satélites.

A Rede Hacker-espacial Global [ing. Hackerspace Global Grid][2]

Aqueles ‘satélites’ já lançados foram postos em órbita com balões, mas é extremamente difícil rastreá-los da Terra.

Segundo Armin Bauer, 26 anos, de Stuttgart, que já trabalha no projeto da Rede Hacker-espacial Global, o principal problema são os custos do projeto.

“É perfeitamente possível rastrear os satélites a partir de bases em solo, mas em geral ninguém precisa fazer isso, porque, se você tem muito dinheiro [e usa um foguete para lançar um satélite e pô-lo em órbita], você já põe o satélite exatamente na órbita na qual você deseja que ele fique” – explicou Bauer.

Trabalhando com um prazo de 23 anos, já há a ideia de um projeto aero-hacker-espacial para pôr na Lua um hacker astronauta amador. Bauer explicou que “É viável, mas muito ambicioso. Então pensamos: vamos começar por uma coisa menor”.

A rede terrestre de rastreamento

A conferência de Berlim foi a mais recente, organizada pelo “Chaos Computer Club”[3], grupo de hackers alemão que trabalha há décadas e já comprovou sua influência, não só entre os interessados em explorar ou em aprimorar a segurança dos sistemas computacionais, mas também entre amadores que exploram, como hobby, os limites dos equipamentos e programas de computação.

Quando Farr lançou sua convocação, à procura de interessados em trabalhar no projeto da Rede Hacker-espacial Global, Bauer e outros decidiram concentrar-se nos aspectos da infraestrutura de comunicação do esquema.

Bauer diz que os satélites podem garantir a comunicação, e ajudarão a pôr um amador no espaço sideral. Ele e sua equipe trabalham nessa parte do projeto com o grupo Constellation, iniciativa já existente na pesquisa aeroespacial alemã, que é, basicamente, uma rede interconectada de projeto de estudantes.

No espírito hacker, de sempre defender o código aberto, Bauer e alguns amigos tiveram a ideia de produzir uma rede de estações de rastreamento em terra, de baixo custo, que pudesse ser comprada ou produzida pelos próprios usuários.

Reunidas numa rede global, essas estações poderiam rastrear e localizar os satélites a qualquer momento, o que, ao mesmo tempo, tornaria mais fácil e daria mais confiabilidade à operação dos satélites, de enviar dados de volta à Terra. “É uma espécie de GPS ao contrário” – explicou Bauer.

“O GPS usa os satélites para calcular a exata localização de cada um de nós. O mesmo processo serve também para nos dizer onde estão os satélites. Podemos usar as coordenadas de GPS, mas também podemos melhorá-las, se tivermos pontos fixos, em locais perfeitamente localizados.”

Bauer garante que a equipe já terá três protótipos de estações em terra, na primeira metade de 2012; e, no próximo Congresso de Comunicação do Coletivo Caos, em 2012, espera já poder mostrar alguns modelos em operação.

O equipamento será vendido, sem finalidades lucrativas. Bauer explica que “Nosso preço limite é 100 euros (£84) por estação em terra. É o que o pessoal nos disse que pode gastar para comprar a estação.”

Complicações

Os especialistas dizem que o projeto do hacker-satélite é exequível, mas enfrentará limitações técnicas.

“Satélites de órbita terrestre de baixa altitude, como os que já foram lançados por amadores, não são fixos: eles se movem em órbita; em teoria, mudam de posição a cada 90 minutos” – diz o professor Alan Woodward do departamento de computação da University of Surrey.

“Não significa que não possam ser usados para comunicação, mas, obviamente, só por curtos períodos de tempo, só enquanto nós os vemos. É difícil ver como esses satélites poderiam ser ligados numa rede viável de comunicação, porque a comunicação aconteceria ‘com saltos’, mesmo que se reunisse uma constelação de estações de rastreamento em terra.”

Esse problema pode ser evitado, se os hackers conseguirem pôr seus satélites em órbitas geoestacionárias acima do Equador. Com isso, os satélites acompanhariam o movimento da Terra e estariam como que imóveis, vistos da Terra. Mas isso criaria outro problema.

“Os satélites estarão tão distantes da Terra, que haverá atraso considerável na recepção dos sinais, o que pode interferir em alguns aplicativos de Internet” – disse o professor Woodward. – Mas ainda uma interessante dimensão legal no projeto, porque o espaço sideral não é governado por cada país ‘abaixo’ dele. Por isso, sim, em teoria, o espaço sideral pode ser lugar ideal onde fazer prosperar todas as comunicações ilegais. O corolário, nesse caso, é que cada país tomaria a lei nas próprias mãos e neutralizaria os satélites.”

A necessidade de construir conhecimento

Além da rede de rastreamento em solo, outros aspectos da Rede Hacker-espacial Global estão sendo explorados, entre os quais o desenvolvimento de novos objetos eletrônicos que possam sobreviver no espaço, e de veículos de lançamento, para começar.

Segundo Farr, o “único motivo” que inspira a ideia de uma Rede Hacker-espacial Global é o conhecimento. Diz que muitos presentes ao Congresso do Coletivo Caos lembraram que desde a Missão Apollo 17, em 1972, ninguém mais for posto em órbita terrestre. “Essa comunidade [hacker] pode, afinal, dar algum sentido à ideia de pôr a humanidade de volta no espaço sideral” – disse Farr. – “Nosso objetivo é voltar ao ponto em que estávamos nos anos 1970s. Os hackers não entendem por que, se já tínhamos a tecnologia necessária para nos pôr no espaço desde antes de muitos de nós termos nascido, nunca mais voltamos para lá. Muitos se sentem ofendidos, excluídos.”

Perguntado sobre se não os preocupam as implicações de segurança da ideia de haver hackers ativos também no espaço sideral, Farr disse que o único problema é “haver quem se interesse tanto por censurar nossa internet.”

“Os hackers só se interessam por garantir informação livre e aberta” – acrescentou Farr. – “Nós acreditamos que a comunicação é um dos direitos humanos básicos.”