PESQUISA INTERVENÇÃO NO LABORATÓRIO DE SENSIBILIDADES

Veja uma das interferências desta investigação em:

Projeto de Iniciação Científica de Larissa Finocchiaro, orientado pela profª Drª Jaquelina Imbrizi.Financiamento PIBIC – 2009/2010

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OCUPAÇÃO UEINZZ – 08/10/09

Alejandra Ariera escreve na tela do computador com giz

Num mundo
supostamente
sem fora

trata-se
de reativar
espaços de
fricçon (fricção)

com una (uma)
normalidade
inquietante

onde nós
normais,
anormais,

normopatas,
quaisquer,

nos
encontramos
confundidos

DICAS DE LIVROS DE PETER PÁL PELBART

“Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.”
Franz Kafka, carta a Oscar Pollak, 1904

1. Conversas com Kafka, de Gustav Janoush

Impressão de ouvir ao vivo a voz de quem captou os movimentos subterrâneos do século. Puras pérolas. Para se ler em paralelo com os diários de Kafka e, obviamente, com o conjunto de sua obra única.

2. À Sombra do Vulcão, de Malcolm Lowry

A embriaguez vertiginosa, para dar conta daquilo que corta ao meio e irremediavelmente o fio de uma vida. Velocidade comparável ao Moby Dick, de Melville. O tema principal, como diz o autor, é o terror que inspiram ao homem suas próprias forças interiores.

3. O Sobrinho de Wittgenstein, de Thomas Bernhard

Um livro sobre amizade e inveja, escrito num ritmo ofegante, alucinatório. O autor austríaco aciona sua metralhadora giratória contra a sociedade burguesa -e como em toda sua obra, é a literatura a serviço da extinção, isto é, da salvação.

4. A Conversa Infinita, de Maurice Blanchot

A voz quase inaudível que devolveu à escrita sua natureza descontínua, fragmentária, impessoal, plural. Com seu estilo evanescente e inimitável, que marcou a geração do pós-guerra francês, Blanchot inaugurou uma modalidade de pensamento.

5. É Isto um Homem?, de Primo Levi

O mais digno testemunho literário sobre os campos de extermínio nazistas. Para se ler em paralelo com a tese recente de Giorgio Agamben sobre o campo como paradigma político da atualidade, em Homo Sacer I: O Poder Soberano e a Vida Nua (UFMG, 2002).

6. Théorie du Bloom, Tiqqun (Mille et une nuits, 2001)

Espécie de manifesto pós-situacionista, traça um dos mais cáusticos retratos do homem comum contemporâneo em seu ocaso niilista. Assinado pelo coletivo anônimo (recusam-se a indicar o nome dos autores) da quase inencontrável revista “Tiqqun”.

7. Puissances de l´Invention, de Maurizio Lazzarato (Les Empêcheurs de Penser en Rond/ Seuil, 2002)

Leitura originalíssima das mutações na produção e sociabilidade contemporâneas, a partir de um teórico quase esquecido: Gabriel Tarde. Pode ser lido como complemento (e contraponto) ao portentoso Império, de Negri e Hardt -ambos instrumentos preciosos para se pensar a resistência hoje.

8. Mil Platôs, de Gilles Deleuze e Félix Guattari

Minha “caixa de ferramentas” predileta, fonte inesgotável de conceitos e associações. A filosofia transversalizando múltiplos campos, vampirizando-os e os fecundando. Como toda a obra de Deleuze, é a liberdade do pensamento em ato.

9. Ditos e Escritos, de Michel Foucault

Os pequenos textos sobre loucura, prisões, medicina, poder, literatura, homossexualismo, revolução -escrita cintilante e generosidade ímpar, para deliciar-se e usar.

10. Fragmentos Póstumos, de Friedrich Nietzsche (na edição de Colli e Montinari, em francês ou alemão)

Mina de ouro, filosófica e literária, onde o pensador vai até o limite de suas intuições -um experimento transfigurador.

11. Ética, de Baruch de Espinosa

O livro mais ilegível e arrebatador da história da filosofia. Sibilino, diamantino -o pensamento em estado puro. O ápice inassimilável da filosofia -a imanência.

Peter Pál Pelbart
É doutor em filosofia e professor na PUC-SP. É tradutor e estudioso da obra de Gilles Deleuze (traduziu para o português “Conversações”, “Crítica e Clínica” e parte de “Mil Platôs”). Escreveu sobre a concepção de tempo em Deleuze (“O Tempo Não-reconciliado”, Perspectiva, 1998), sobre a relação entre filosofia e loucura (“Da Clausura do Fora ao Fora da Clausura: Loucura e Desrazão”, Brasiliense, 1989, e “A Nau do Tempo-rei”, Imago, 1993) e publicou, mais recentemente, “A Vertigem por um Fio: Políticas da Subjetividade Contemporânea”, Iluminuras, 2000.

“A Privataria Tucana”, em PDF

O livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., já esgotou os 15 mil exemplares em apenas um dia e tem gerado repercussão nas redes sociais desde que foi lançado, na sexta-feira (9). A obra relata irregularidades durante o processo de privatizações de empresas públicas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O personagem central dessa história é o ex-governador de São Paulo José Serra, então ministro do Planejamento de FHC. O sucesso da publicação é tamanho que a versão em PDF já está disponível na web e o assunto ganhou a hastag #PrivatariaTucana no microblog Twitter.
Uma das maiores polêmicas que envolve a obra é a falta de atenção dada pelos grandes veículos de comunicação, com exceção da revista “Carta Capital”. A falta de credibilidade de Amaury Ribeiro Jr. seria o argumento para não divulgar as denúncias publicadas pelo jornalista. No ano passado, ele foi indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de espionar José Serra e família durante a campanha eleitoral à presidência da República.

“Os citados no livro  ‘A Privataria Tucana’ seguem em profundo silêncio. A mídia, sempre pronta para investigar e manchetar [como é do seu ofício], também segue em silêncio. Um silêncio estrondoso. Se continuar assim, um silêncio estremamente revelador”, disse o comentarista político do Jornal da Gazeta Bob Fernandes.

 

 LIVRO DISPONÍVEL NO LINK:

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