Hoje, no SESC Santos: PREFERIRIA NÃO? – 21h

“O espetáculo de Denise Stoklos “PREFERIRIA NÃO?” tem a base no texto de Herman Melville, “Bartleby, o escriturário, de 1853. A dramaturgia que transformou o livro em teatro foi desenvolvida dentro da estrutura da “fita de Möbius”, sob o enunciado que a parte de fora e a parte de dentro são contínuas. A estrutura da peça segue o dentro/fora da “fita de Möbius”, no sentido de mescla do texto de Melville com a biografia da performer, capa e contracapa da performance. O espetáculo abre e fecha com a representação de um simples “movimento do mundo” que pulsa independente de tudo. Uma vez que o livro começa com uma frase presente em todas as traduções: “já sou um homem de uma certa idade.” a primeira frase da performance remete à atriz, que, ecoando o livro, diz: “tenho 60 anos,” e em seguida menciona a data de seu próprio aniversário, retomando a segunda frase do livro que refere-se “ao meu trabalho de advogado” (que é o trabalho do narrador do livro). A alavanca da “fita de Möbius” entra em funcionamento. Movimenta-se toda a máquina da performance dentro dessas primeiríssimas menções: o caráter “duplo contínuo”, aqui é o performer e o personagem, e o personagem e o performer, sempre a fazerem-se ecos ou “sombras” entre si. Este jogo não sai mais de cena, só se especializa, se sofistica, se replica e triplica. Daí, por exemplo, encenam-se neuroses do narrador (ou seria da performer?) em primeiro plano, embora não constem no livro, como um panorama dos “efeitos” de uma sociedade sem amor. O dono do escritório tem delírios de baixa estima e alta estima, ambas na mesma medida extrema, o que impede matematicamente qualquer real “auto-estima”, sempre entremeada por uma hipocondria sobre sua vida mental e neurológica (também não consta no texto original, seria uma expressão da nossa contemporaneidade?) A escolha dramatúrgica de que o personagem-título que diz: “PREFERIRIA NÃO?” (sem a interrogação, pois esta pertence à performance) ter sua vida acabada em um hospício e não em uma prisão (como no livro) é provinda do aggiornamento, um conceito de Umberto Ecco, que nos leva ao vivo trabalho de Jean Oury e outros da Esquizoanálise na qual o status quo é o “enlouquecido”. O “enlouquecedor” sistema consumista não coloca em prisões os “fora da lei”, mas coloca-os em “casas de saúde mental” (instituídas como tal, ou por representantes delas que segregam os contestadores) os que “preferem não” ser continuistas do establishment esvaziado de sentido para a vida. “Bartlebly prefere olhar para a parede” poderia ser o nome da performance (em evocação de um ato revolucionário atual, atualizante e atualizador) que costura o livro à peça.” (Retirado de http://denisestoklos.uol.com.br)

17/11/2011 ÀS 21H.

*Não recomendado para menores de 14 anos.